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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ciclistas caem ao Rio Este!

Soube hoje, numa conversa de rua, que já caíram ao Rio Este pelo menos dois ciclistas que faziam uso da "Via Pedonal Ciclável" durante as suas deslocações. Ao que parece, felizmente e por sorte, esses dois acidentes não terão tido consequências graves, apesar de as vítimas terem necessitado de ajuda para sair do rio. Mas o desfecho poderia ter sido bem pior, dada a profundidade que tem o leito do rio e o caudal que apresenta em determinadas alturas do ano!... Precipícios em ciclovia sem proteção - o perigo à espreita na via pedonal ciclável do rio este

A este propósito, não posso deixar de recordar o esforço que já tem sido feito, não só neste espaço, mas também noutros contextos e também por outras pessoas, para alertar a Câmara Municipal de Braga para a necessidade URGENTE de aplicar medidas efetivas de proteção da integridade física dos utentes daquela via. Faltam, em vários pontos, barreiras de proteção que ajudem a impedir quedas ao rio (cujo leito chega a ter alguns metros de profundidade), placas de sinalização, luzes, alargamento de vias, etc. Em momento oportuno, o atual presidente da CMB, Ricardo Rio, visitou a Via Pedonal Ciclável acompanhado de vários ciclistas, tendo tido a oportunidade de verificar no terreno alguns destes problemas, que se comprometeu a mandar corrigir.

Passado quase um ano desde essa visita, e passado também cerca de um ano desde que o atual executivo entrou em funções, seria de esperar que este tipo de acidentes já não acontecessem por inércia, digo negligência, da Câmara Municipal de Braga. Estaremos à espera que morra alguém ali para então se mandar apurar responsabilidades e, talvez, corrigir as referidas falhas de segurança?...

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Nova campanha contra atropelamentos parece esquecer aqueles que efetivamente atropelam

Foi esta semana lançada em Braga, com certa pompa, uma nova campanha de sensibilização contra os atropelamentos. A iniciativa insere-se na abertura oficial da Capital Jovem da Segurança Rodoviária e contou com a presença do ministro da Administração, Miguel Macedo, um certo senhor do ACP, etc. Mas será que o alvo da campanha foi bem escolhido?...

A face mais visível da campanha, ou pelo menos aquela que foi hoje noticiada nos jornais, é a pintura de um alerta junto às passadeiras:

Campanha contra atropelamentos - pintura em passadeira à porta de escola em Braga

"266 feridos em Braga por mês", recorda o letreiro, acrescentando ainda o slogan "Atenção, todos somos peões!".

Assim de repente, uma coisa que me faz uma certa "espécie", são os locais onde os avisos foram pintados: à entrada de passadeiras - local onde os peões devem passar sempre que possível e onde têm prioridade face a veículos. Ora, não faria tanto ou mais sentido dirigir essa mensagem a quem se desloca num veículo que tem efetivamente o poder de atropelar pessoas?...

Em vez de dizer aos peões, por outras palavras, qualquer coisa como "vocês parecem um bando de maluquinhos com tendências suicidas, vejam lá se vestem uma armadura com capacete e se desviam dos carros quando forem a atravessar nestas passadeiras!", não faria mais sentido apelar ao bom senso dos condutores e tornar mais visíveis as passadeiras em questão, com lombas, sinalização horizontal e vertical, luzes, etc.? Porque não lembrar os condutores que os seus veículos - quaisquer que eles sejam - são na verdade uma arma em potência e que por isso mesmo é sua responsabilidade usá-los de forma cautelosa, moderando velocidades, mantendo distâncias de segurança e parando para deixar passar peões e/ou ciclistas, conforme cada caso, e nos termos em que a isso obriga o Código da Estrada?

Parece que continuamos a praticar Prevenção Rodoviária pela velha escola, a da triste remediação, a do "desviem-se todos para deixar passar os carros, se não querem ser atropelados". A filosofia (e a prática daí decorrente) deveria ser outra, deveria ser de cariz efetivamente preventivo: moderação de velocidade, distâncias de segurança, condução atenta minimizando fatores de distração (telemóveis, anúncios publicitários excessivos, etc.), respeito pelas passadeiras e locais de atravessamento de ciclistas, respeito pelas regras de prioridade, condução sem álcool ou outras drogas no sangue, etc.

Só que essas mensagens, não adianta serem escritas nos locais onde se encontram as vítimas dos atropelamentos. Elas precisam de chegar a quem atropela, a quem corre o risco ou tem o poder de atropelar. Só assim se contribuirá para evitar que continuem a acontecer em Braga acidentes como um que eu presenciei há algum tempo, em que um automóvel com condutor distraído atropelou 3 pessoas de uma vez só, quando iam a passar numa passadeira. Ou como aquele que há uns meses feriu com alguma gravidade o Mário Meireles quando regressava a casa de bicicleta, devidamente posicionado na via e com a bicicleta devidamente iluminada. Ou como um outro acidente absurdo (os atropelametos são sempre absurdos, não são?) que no ano passado matou em Sta. Lucrécia de Algeriz o Sr. António Vieira quando se deslocava em bicicleta para os lados da Póvoa de Lanhoso cumprindo as regras de trânsito...

Não faltam exemplos tristes que nem gostamos de recordar. Há comportamentos de risco de parte a parte, mas o maior perigo, pelas leis da física, está no objeto mais pesado e que se desloque a uma maior velocidade. Logo, é aí que é preciso incidir em primeiro lugar. De outro modo, estaremos a ver o mundo ao contrário.


P.S. - A título de sugestão, deixamos aqui alguns slogans alternativos, usados numa manifestação recente, e que porventura resultarão em lemas talvez mais apropriados para futuras campanhas de Prevenção Rodoviária.

Basta de atropelamentos - Braga

Acalmar o tráfego é proteger as pessoas

Queremos cidades para as pessoas

terça-feira, 13 de maio de 2014

Condutor distraído atropelou ciclista na ciclovia de Lamaçães

Acidente na ciclovia de Lamaçães (Braga) - ciclista ferido

Por um membro do nosso grupo no Facebook, chega-nos a triste notícia de que ocorreu hoje mais um acidente em Braga, em plena ciclovia da Variante da Encosta (Lamaçães), de que resultou um ciclista ferido num pé e num pulso.

Não dispomos de informação muito detalhada mas, de acordo com os relatos de pessoas que disseram presenciar o lamentável sucedido, o ciclista estaria a contornar aquela rotunda (dentro da ciclovia), tendo sido nessa altura abalroado por um carro que entrava nesse momento na rotunda.

Sabemos que aquela é uma via que tem alguma tradição de "aceleras", em virtude de um fraco desenho em matéria de acalmia de trânsito, e que a referida ciclovia apresenta também alguns defeitos temos vindo a apontar e que urge corrigir. Uma melhor sinalização das passagens de velocípedes nas rotundas deve evidentemente estar no topo da agenda!

Ainda assim, vale a pena lembrar que, apesar de as condições não serem as ideais, o conhecimento e o cumprimento do Código da Estrada podem ajudar a prevenir muitos acidentes deste tipo.

Nomeadamente:

Artigo 25.º

Velocidade moderada

1 - Sem prejuízo dos limites máximos de velocidade fixados, o condutor deve moderar especialmente a velocidade:
a) À aproximação de passagens assinaladas na faixa de rodagem para a travessia de peões e ou velocípedes;
(...)
e) À aproximação de utilizadores vulneráveis;
(...)
h) Nas curvas, cruzamentos, entroncamentos, rotundas, lombas e outros locais de visibilidade reduzida;
(...)
2 - Quem infringir o disposto no número anterior é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600.


Artigo 31.º

Cedência de passagem em certas vias ou troços

1 - Deve sempre ceder a passagem o condutor:
(...)
c) Que entre numa rotunda.
3 - Quem infringir o disposto no n.º 1 é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600, salvo se se tratar do disposto na alínea b), caso em que a coima é de (euro) 250 a (euro) 1250.


Artigo 32.º

Cedência de passagem a certos veículos

(...)
3 - Os condutores devem ceder passagem aos velocípedes que atravessem as faixas de rodagem nas passagens assinaladas.
(...)
5 - Os condutores de velocípedes a que se refere o n.º 3 não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respetiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente.
(...)
7 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de (euro) 120 a (euro) 600.


Todos temos o dever de conhecer estas regras e zelar pela nossa segurança e pela dos que nos rodeiam na estrada, independentemente do tipo de veículo em que nos deslocamos em cada momento.

Desejamos ao ciclista as melhoras e que rapidamente possa voltar a pedalar por Braga.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Guerra civil nas estradas de Braga: uma análise dos acidentes entre 2010 e 2012

Tenho tido algumas conversas sobre acidentes rodoviários e venho notando que, estranhamente, muitas pessoas acham que a bicicleta tem um poder destrutivo semelhante ao do carro e que, desse modo, representa um perigo comparável para os outros utentes da via pública. Tendo sido eu recentemente vítima de um acidente na qualidade de ciclista, poderia argumentar que sou a prova viva do contrário. Mas, como um exemplo vale apenas o que vale, a melhor maneira de verificar se esses dois meios de transporte (automóvel e bicicleta) são mesmo equivalentes, em termos da sua perigosidade, consiste em analisar o número de acidentes entre velocípedes, peões e automóveis.

Para conseguir estes números contactei a PSP e a ANSR-Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária em busca de dados relativos a acidentes entre velocípedes e peões, velocípedes e automóveis e automóveis e peões relativos aos últimos três anos (2010,2011,2012). A ANSR respondeu hoje com estes dados:



Existe 1 ferido ligeiro em 2010 e outro em 2012 no campo velocípede-peão. Questionamos a ANSR relativamente ao local onde estes acidentes tinham ocorridos, no sentido de obter alguma informação adicional que nos permitisse melhor compreender o contexto desses acidentes. A resposta foi que estes dois acidentes se inserem nas Ações do Peão e que assim, o acidente de 2010 não tem ação definida e o de 2011 tem como ação a saída/entrada num veículo.

Houve um aumento de mortos e feridos graves em 2012, mas não parece ter havido nesse período um aumento significativo do número de acidentes envolvendo ciclistas.

Totais relativos aos 3 anos


Conseguimos ver que o que se destaca mesmo é a quantidade brutal de acidentes em que um automóvel vitima um utilizador vulnerável (peão ou ciclista).

Portanto nos últimos 3 anos em Braga não morreu ninguém atropelado por uma bicicleta e apenas existiram 2 feridos ligeiros (e estes dois acidentes estão inseridos nas ações do peão).

Em acidentes nos quais esteve envolvido o automóvel morreram, infelizmente, 8 pessoas, 62 ficaram feridas com gravidade e 336 ficaram feridas de forma ligeira.

Afinal, ao contrário da bicicleta, o carro pode ser uma arma letal, implicando por isso a necessidade de um maior cuidado e uma maior responsabilização por parte do seu condutor. Conduzir uma bicicleta também implica um certo grau de responsabilidade e algumas medidas de segurança, como usar luzes e refletores e conduzir na via de forma previsível, mas a verdade é que este continua a ser um meio de transporte muito mais seguro e bem mais amigo dos peões.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Condutor distraído atropelou ciclista em Gualtar

Bicicleta acidentada do Mário Meireles

Todos nós por aqui conhecemos o Mário Meireles. Para além de autor de alguns artigos deste blog, foi ele que realizou quase todo o trabalho do Mapa Braga Ciclável e tem estado a colaborar com várias instituições nesta área. Sabemos do seu empenho na causa da bicicleta, na promoção do uso deste meio de transporte e na luta para que em Braga melhorem as condições de segurança para peões e ciclistas. E sabemos também que é um ciclista responsável e extremamente cuidadoso. Apesar disso, foi ontem atropelado em Gualtar, por um automobilista que conduzia distraído.

Eram cerca das 20h30 e o Mário seguia na reta de Gualtar perto da bomba de gasolina. Seguia devidamente equipado com luzes dianteira e traseira. Tal como manda o Código da Estrada ainda em vigor, seguia pela direita. Ainda assim, um condutor que vinha distraído ao volante abalroou-o por trás. Não havia falta de visibilidade no local (era uma reta!). Houve simplesmente um condutor pouco prudente, que vinha com velocidade excessiva e não tomou as precauções necessárias para poder abrandar ou imobilizar o seu veículo em segurança na presença de um obstáculo.

Mario fb

O condutor teve pelo menos a decência de dar-se como culpado, pelo que, esperamos, pelo menos a sua seguradora irá de alguma forma procurar ressarcir este nosso amigo pelos danos causados. Não deixa, no entanto, de ser revoltante sempre que acontece um destes acidentes que eram facilmente evitáveis...

Desejamos ao Mário as rápidas melhoras e que possa brevemente voltar a pedalar por aí. Braga precisa de jovens inteligentes e ativos como ele!