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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Via Pedonal Ciclável do Rio Este - Visita com o executivo da CMB


O Braga Ciclável aceitou o convite da Vereadora da Juventude e do Desporto para se juntar à visita do novo executivo camarário à via pedonal ciclável do Rio Este efetuada na passada Terça-Feira durante a tarde.

Na visita estiveram presentes o Presidente da Câmara de Braga, Dr. Ricardo Rio, os Vereadores Dr. Firmino Marques, Eng. Altino Bessa e a Drª. Sameiro Araújo. Para além do Braga Ciclável, foram convidados e participaram os presidentes da Associação de Cicloturismo do Minho, Amadeu Alves, e do Clube de Cicloturismo de Braga, José Alves.

In loco demos o nosso parecer sobre algumas questões técnicas que podem ser melhoradas nesta via.

O acesso pela zona Este faz-se de uma forma abrupta e algo deselegante. Para além dos acessos e terra batida, criados há muito pelas passadas e pedaladas das pessoas, temos um cano de esgoto que torna a entrada no "túnel" por baixo da Av. Padre Júlio Fragata ainda mais baixa (2,00m).Um ciclista que tenha 1,90m (poderá ser por exemplo um cicloturista do centro da Europa, ou algum bracarense mais alto) em cima de uma bicicleta vai ganhar uma cabeça rachada ao passar aqui.


Começamos por explanar as medidas mínimas para este tipo de vias recorrendo à brochura de técnicas / temáticas com o título "Rede Ciclável - Princípios de Planeamento e Desenho" do IMTT.

Para uma pista ciclável partilhada com peões - mista, a largura mínima da via deve ser de 2,5m (mínimo) ou 3 m(aconselhado) - É o que atualmente existe.

Para o caso de uma pista ciclável partilhada com peões - separada a largura mínima deverá ser de 3,7m (pista ciclável bidirecional com 2,20m + 1,5m de passeio.)

A nosso ver o ideal seria termos uma pista ciclável partilhada com peões - separada para evitar os conflitos entre peões e velocípedes e possíveis acidentes. No entanto podemos ver que em alguns sítios esta via tem 2,88 metros de largura e noutros sítios 1,5 metros de largura.

A necessidade de sinalização horizontal e vertical ao longo da via é, a nosso ver, fundamental. Com a sinalização horizontal passamos a ter uma pista ciclável partilhada com peões - separada. Como vimos anteriormente é então imperativo que a mesma possua 3,7m nas zonas partilhadas. Nas zonas onde a via é mais estreita sugerimos que aí sejam criadas vias exclusivas separadas, uma para bicicletas e outra para peões, para evitar situações como estas:


Por exemplo na Rua Bernardo Sequeira a via partilhada passa de forma desnivelada, perto do rio, e existe uma passagem exclusiva para peões ao nível da Rua. Faria então todo o sentido que a passagem desnivelada se tornasse exclusiva para ciclistas.

No entanto esta via desnivelada já ficou submersa na semana passada e as chuvas ainda agora começaram.


Um outro problema encontrado ao longo de toda a via é a colocação dos bancos junto da via, acabando por tirar algum espaço à mesma quando as pessoas se encontram sentadas nos mesmos. Esta questão resolver-se-ia com a colocação dos bancos afastada 0,50m da via, por exemplo.


Antes de chegarmos à Rua Bernardo Sequeira existe um problema, a ponte que leva a via pedonal ciclável para a outra margem está colocada de modo a fazer um ângulo de 90º com a via. Estes ângulos aumentam o conflito entre peões e ciclistas numa pista ciclável partilhada com peões - mista, que, por ter esta designação, já possui muitos conflitos.


Na zona de Santa Tecla temos um mau aproveitamento do espaço existente junto do ringue desportivo de santa tecla, com a existência da via pedoanal ciclável paralela a um passeio de 1m de largura separado por 0,80m de terra. Este é um dos troços que revela problemas de iluminação. Temos também uma ponte mal colocada que cria mais um ângulo de 90º problemático.


No sítio onde a via pedonal ciclável encontra o passeio da Rua Professor Machado Vilela encontramos duas situações, uma é a manutenção do passeio. Ora se esta é uma via pedonal ciclável porque não aproveitaram e alargaram esta via integrando o passeio nela? O passeio ficava com o mesmo (bom) piso da via pedonal ciclável e a largura seria mais que suficiente para tornar a mesma separada, em detrimento de mista. A segunda situação é o cruzamento com um passeio que vem da ponte. Este cruzamento devia ser bem assinalado e bem iluminado. Não é o que acontece. No caso de um ciclista vir na via pedonal ciclável não encontra nenhuma indicação de que ali existe um passeio a cruzar a mesma.


Quando a via pedonal ciclável encontra a 31 de Janeiro tem uma solução que, segundo o Engenheiro da obra presente na visita, foi desenhada e decidida pela divisão de trânsito do anterior executivo da Câmara Municipal de Braga.


Uma solução muito pouco elegante quando o projeto inicial contemplava a única solução possível e imaginária para esta zona, vejamos:


A vermelho encontra-se o atual percurso da via pedonal ciclável, pintado a amarelo no passeio e passadeira da Av. 31 de Janeiro.

A travessia da Av. 31 de Janeiro deve ser revista pois um velocípede e um peão pretendem o caminho mais curto, mais rápido e mais agradável e nunca o caminho mais longo e sinuoso. Posto isto achamos que deve ser criada uma passagem direta com marcação de passadeira e de passagem para bicicletas, tal como o projeto inicial previa. Algo como se fez aqui tão perto, no Porto:



Após a 31 de Janeiro encontramos os Galos. Ficamos a saber que a obra ainda contempla um piso betuminoso para esta zona que melhorará consideravelmente a deslocação na mesma.


Para além do piso existe ainda a questão do sinal de proibido que impede a circulação entre a zona dos galos e a Av. 31 de Janeiro. É necessário colocar ali a exceção para velocípedes e no sentido contrário colocar um sinal a avisar sobre a possibilidade de circulação de velocípedes e/ou peões no sentido contrário.


Passada a zona dos galos entramos novamente na designada via pedonal ciclável. Esta entrada é feita com dois ângulos de 90º e numa entrada bastante estreita.


Logo a seguir encontramos mais uma ponte a fazer dois ângulos de 90º com a via, aumentando assim os pontos de conflito entre peões e ciclistas.


Passando a Rua dos Barbosas - onde durante a noite verificamos mais um problema de iluminação - encontramos a passagem inferior à ponte de São João. Esta ponte pode ser considerado como o ponto mais negro da via pedonal ciclável pois a entrada e saída da mesma é feita numa curva fechada e sem visibilidade o que faz com que não se percecione se vem alguém a entrar ou dentro da ponte. Este problema poderia ser resolvido com a marcação da via, tornando-a separada.


Passada a ponte chegamos à melhor parte da via pedonal ciclável. Larga e com espaço para alargar mais se necessário. Até à Rua do Couteiro -traseiras do Parque de Exposições de Braga (PEB)- a via pedonal ciclável é bastante agradável.


Chegados à Rua do Couteiro temos... uma passadeira. Um ciclista tem que desmontar para passar a estrada e continuar a pedalar (poucos o fazem). Isto seria resolvido com mais uma passagem para ciclistas, tal como a imagem anterior do exemplo do Porto.


De um dos lados a passadeira é resguardada por uma lomba, do outro lado não temos qualquer tipo de medida de acalmia de tráfego.


Ao passarmos a passadeira (que possui um bueiro perigoso para algum tipo de ciclistas) encontramos uma via pedonal ciclável com pouco mais de 2m. Mais uma vez poderia ser encontrada uma solução criando uma zona apenas para ciclistas e outra apenas para peões.


Chegando ao cruzamento que dá acesso ao armazém da FOC deparamo-nos com mais uma passadeira, onde o ciclista deverá desmontar. A solução já foi aqui apresentada.


Outra particularidade desta zona é que entre o antigo moinho aqui presente e o Jardim de Infância e Escola do 1º Ciclo da Ponte Pedrinha temos a via pedonal ciclável com cerca de 2m, com o Rio Este de um dos seus lados, e do outro lado temos uma zona de 0,80m relvada e um passeio mais ou menos com a mesma largura... Não faria sentido aproveitar todo este espaço para a via pedonal ciclável?


No Jardim de Infância e Escola do 1º Ciclo da Ponte Pedrinha teria que ser desenhada uma alternativa pela outra margem do Rio para as bicicletas, aproveitando a ponte já existente, uma vez que do lado onde está a via pedonal ciclável a largura não é suficiente para albergar peões e ciclistas.


Aliás, o projeto inicial previa que a via ciclável circulasse exatamente pelo lado onde agora sugerimos que seja criada a alternativa (e que é bem mais largo do que o atual local da via). Vejamos como era o desenho do projeto nesta zona:



A roxo encontra-se o atual percurso da via pedonal ciclável.

Ultrapassando as traseiras do campo do Maximinense encontramos mais uma ponte com o problema que tem vindo a ser apontado, foi colocada a fazer um ângulo de 90º com a via.


Passamos então para a outra margem e notamos que aqui a via poderia ser alargada de modo a ser também marcada e passar a sua designação a separada em detrimento de mista.


Acaba sem um lancil que permita o transbordo do ciclista da via pedonal ciclável para a estrada.


Achamos fundamental prolongar esta via para Este, não só até aos campos da rodovia, mas até ao Meliã (pelo interior do INL), fazendo depois a ligação ao Campus Universitário de Gualtar permitindo assim que os estudantes se desloquem em segurança entre o Campus e as residências universitárias.

Iluminação



A manutenção das luzes, que têm estado em grande parte apagadas e a colocação de iluminação nos túneis (contemplado no projeto inicial) também é fundamental para a segurança de quem transita nesta via.

Segurança

Colocar a Polícia Municipal e/ou a Polícia de Segurança Pública e efectuarem rondas em bicicleta por esta via parece-nos também ser uma solução para possíveis problemas de segurança, já existem ciclopatrulhas em Lisboa,Porto, Coimbra, Vila Franca de Xira, Oeiras, Açores. Braga acolheria, certamente, muito bem esta ideia.


© Foto:Bike17ECO

Numa altura em que muito se pergunta qual o papel da Polícia Municipal parece-me que esta seria uma ótima resposta. É sempre bom relembrar que a 2ª Esquadra da PSP de Braga se mostrou recetiva à ciclopatrulha, mas faltavam as bicicletas.

Estacionamentos

Esta via ciclável ainda não possui nenhuma infraestrutura de estacionamento para bicicletas, no entanto a mesma é contemplada no projeto:


Aconselhamos que a escolha destas infraestruturas tenha em consideração as 3 tipologias adequadas possíveis, e esperemos não ter mais "empena rodas".



Rede Ciclável

Achamos ainda imperativo existir uma aposta nas ligações entre esta via ciclável e a cidade, servindo quem vai da Universidade para o centro e vice-versa, possível com o recurso a alguns sinais de trânsito e a algumas marcações indicativas. Esta via não serve este propósito, por exemplo.

É necessária uma rede ciclável que sirva a cidade e os ciclistas.

É necessário permitir a circulação de bicicletas na zona pedonal (com limite de velocidade de 15 km/h - tal como em Barcelona).

É necessário que a CMB permita a circulação de bicicletas nos corredores BUS - o código da estrada que entra em vigor em Janeiro de 2014 deixa esta decisão nas mãos dos executivos camarários.

É necessário colocar mais estacionamentos pela cidade e sinalizar devidamente aqueles que já existem.

Ricardo Rio promete corrigir e aumentar ciclovias


No final da visita, o executivo, pela voz do Presidente da Câmara Ricardo Rio, anunciou que, durante o próximo ano, a via pedonal ciclável se vai prolongar no mínimo até ao parque desportivo da rodovia e corrigir problemas ao nível da iluminação, da clarificação da circulação respeitando os preceitos do IMTT sempre que possível. Para além disto anunciou ainda a intenção de reforçar as vias cicláveis na malha urbana aproveitando o estudo do professor António Babo (que mereceu a análise do Braga Ciclável) e refletir sobre as ciclovias nele propostas e ainda concretizar neste mandato toda a ecopista que vai atravessar a margem do Cávado - um projeto existente no quadro da CIMCavado.

Podem ver as palavras do Presidente da Câmara no final da visita neste video:

Programa Ciclovias Interurbanas do CÁVADO BRAGA

No passado dia 19 de Setembro, realizou-se no Museu Nogueira da Silva uma apresentação, seguida de debate, organizada pela Comunidade Territorial de Cooperação CIM Alto Minho/CIM Cávado/ INORDE sobre Ciclovias Intraurbanas de Braga, no âmbito do seminário sobre MOBILIDADE Sustentabilidade e Inovação. Um leitores do Braga Ciclável teve a gentileza de nos fazer chegar, a posteriori, os diapositivos utilizados nessa mesma apresentação. Infelizmente, não soubemos da existência da mesma com a necessária antecedência, pelo que não pudemos assistir. Ficamos gratos, por isso, ao leitor que nos enviou o ficheiro bem como ao autor, por nos ter autorizado a sua publicação neste espaço.

Vamos então espreitar a apresentação, que pode ser consultada integralmente no site da CIM Cávado.



São propostas 6 ciclovias (1 já existente, 1 parcialmente existente e 4 por construir), são elas:

Ciclovia dos Estudantes
Liga a Universidade à Estação CP e continua até à junta de freguesia de Frossos.

Temos um pequeno reparo a fazer nesta "ciclovia": esta desvia-se na Rua de S. Victor para uma estrada com piso irregular em paralelo (Rua Martins Sarmento e Rua Beato Miguel de Carvalho), segue por uma estrada de sentido único (Rua 25 de Abril), subindo depois a Av. da Liberdade, virando para o agora Museu do Traje Dr. Gonçalo Sampaio e subindo pela Rua de S. Vicente, passando pelo Largo Carlos Amarante e continuando pela Rua D. Afonso Henriques até descer a Rua Dom Frei Caetano Brandão e virando à esquerda para a Rua Visconde Pindela.



A amarelo, descrevemos o percurso alternativo que propomos.


O desvio contemplado no projeto original perfaz um total de 2,1 km com descidas, subidas e muitas curvas. Ora, um ciclista urbano escolhe sempre o caminho mais direto e mais rápido, e de preferência com piso adequado a todos os tipos de bicicletas.
Assim sendo, faria muito mais sentido continuar de forma natural o percurso pela Rua de S. Victor e, chegando à Sra.-a-Branca, entrar numa zona partilhada entre peões e ciclistas. Essa zona partilhada poderia impor um limite de velocidade para estes últimos, tal como é feito em Barcelona onde nas zonas pedonais o ciclista não pode circular a mais de 15 km/h). Esta alteração resultaria num percurso bastante mais agradável e com uma extensão de 1,6 km, sem curvas, sem paragens e direto.

A nosso ver, esta ligação é fundamental, por voltar a ligar a cidade à Universidade e por ser um dos trajetos que mais procura tem (pode verificar-se isto utilizando-a diariamente, ou consultando o Mapa Braga Ciclável.

Pensamos ainda que esta ciclovia se podia prolongar para Este até à rotunda da paz em Gualtar.

Ciclovia do Rio Este
Liga o INL até à Junta de freguesia de Celeirós.

Aconselhamos a criar o resto do percurso como pista ciclável partilhada, separada, com uma largura mínima de 3,7m (bidirecional: 2,20 m de pista ciclável + 1,50 m de passeio). É menos confuso e é mais agradável para todos os seus utilizadores, peõs e ciclistas. Tem que ser devidamente marcada e sinalizada e construída.

Estas recomendações estão numa das muitas brochuras do IMTT:



Ciclovia do Monte Picoto
Esta ciclovia faz a ligação entre a ciclovia da Nascente, passando pelo Monte do Picoto, "rasgando" a cidade pela Av. 31 de Janeiro (como anteriormente defendi a criação de uma ciclovia nesta Avenida), subindo a Rua Santa Margarida e pretendendo-se ligar ao futuro Parque Norte. Esta ciclovia permite a ligação em rede de outras 3 ciclovias, a Nascente (ou de Lamaçães), a dos Estudantes e a do Rio Este. No entanto, ao chegar à Santa Margarida toma um rumo errado. Sobe aquela que será porventura a subida mais íngreme do casco urbano de Braga, a Rua de Camões, que liga à Universidade Católica. Seria preferível continuar a subida pela Rua Santa Margarida e aproveitar depois a Rua Dr. Domingos Soares para servir também a população da escola secundária Sá de Miranda.


A amarelo, o percurso alternativo que propomos.

Poderia depois continuar o percurso proposto até à Rua Engenheiro João Teixeira da Silva, onde entraria nos terrenos do futuro Parque Norte, e ligaria à Rua Quinta de Cabanas, terminando na atual Esprominho.

Ciclovia dos Estádios
Este traçado parece ser o ideal. Apenas acrescentaríamos uma ligação à ciclovia do Monte Picoto através da Rua Dr. Francisco de Noronha, para aqueles que não se querem atrever a subir a Rua Abade Loureira.

A amarelo, o percurso alternativo que propomos.


Ciclovia Nascente
Antes de apontar os problemas convém referir que vemos com muito bons olhos o prolongamento da mesma até à Universidade do Minho.

Esta ciclovia (ciclocoisa, vá) tem bastantes problemas:
  • Estacionamento (legal) entre a ciclovia e o passeio
  • Este é um dos grandes problemas desta ciclovia. Problema esse que já gerou vários acidentes. E apenas poderá ser resolvido com uma redefinição do trajeto desta ciclovia.

    Neste momento temos:
    Via Automóvel --- Ciclovia --- Estacionamento ---- Passeio

    Temos que passar a ter:
    Via Automóvel --- Estacionamento ---- Zona de segurança (0,80cm) ---- Ciclovia --- Passeio

  • Estacionamento ilegal na ciclovia (em 2ª fila)
  • Denota a falta de civismo de certos automobilistas e também uma notória falta de controlo policial. Todos os dias, ao longo de toda a ciclovia, encontramos vários automóveis estacionados a impedir a circulação de bicicletas no local que para elas foi desenhado. Apesar de tudo o que de mal possa estar feito nesta ciclovia, nada justifica este tipo de estacionamento.

    Patrulhas a pedal rapidamente resolveriam este problema, de forma simples e eficaz.

    Na rotunda do Hotel de Lamaçães as pessoas estacionam os automóveis em cima da ciclovia para se deslocarem ao Multibanco!
    Nesta mesma zona existem automóveis, quer de um lado quer do outro, estacionados em cima da ciclovia.
    Na zona da BikeZone, Maria Bolacha, etc é praticamente impossível circular pela ciclovia com tantos carros que estacionam em cima da mesma.
    Na rotunda da Media Market, um veículo de cargas e descargas estaciona constantemente na ciclovia. Se não está o camião, está um carro.

  • Peões a circularem na ciclovia
  • É algo que conseguimos entender, e encontramos duas justificações possíveis:

    -Uma vez que o passeio não tem manutenção e é feito em tijolo, torna-se desconfortável, o que leva as pessoas a optarem pela zona com piso mais uniforme: a ciclovia. O problema é que colocam em risco a sua integridade física, pois muitas vezes atravessam o estacionamento pela parte de trás do automóvel, o que poderá originar acidentes graves para o peão. Em certos sítios os passeios não possuem rampas nos lancis, enquanto que a ciclovia tem. Para um carrinho de bebé, ou uma cadeira de rodas, a ciclovia é muito melhor nestas situações.
    -As pessoas desconhecem o significado da sinalética colocada. Isto é uma lacuna na educação das escolas básicas e secundárias.

    A solução passa por melhorar as condições dos passeios e apostar na educação das futuras gerações. Isto consegue-se através da inserção nas escolas de matéria relativa ao trânsito com ênfase na circulação a pé e/ou de bicicleta e na explicação dos benefícios destas duas opções.


  • Rotundas
  • Vamos recorrer, mais uma vez, à brochura do IMTT para abordar, agora, o tema das rotundas:

No caso das rotundas que se encontram ao longo dos percursos cicláveis e que apresentam uma dimensão que não permite aos ciclistas a sua utilização em segurança é imprescindível retirar a circulação das bicicletas do anel da rotunda (Figura 18) ou mesmo encontrar percursos alternativos que evitem a rotunda

Resumindo:
Os princípios de conceção de rotundas têm evoluído nos últimos anos, no sentido de que estas devem ser compactas e induzir velocidades mais moderadas.


  • Pouca sinalização vertical e horizontal
  • Ao longo de todo o trajeto vemos poucos sinais indicativos da presença de uma ciclovia nesta zona.
    O mesmo se passa na sinalização horizontal, os únicos locais onde o sinal informativo da presença da bicicleta está pintado e colocado é à entrada das rotundas. Ao longo do resto do percurso não existe sinalética indicativa da presença de uma ciclovia exclusiva para ciclistas.


Ciclovia Circular
Esta ciclovia ligaria todos os serviços de interesse (escolas,unidades de saúde, iefp, igrejas, shoppings, etc) às 5 ciclovias anteriores. Assim teríamos já uma infraestrutura inicial bastante agradável para a nossa cidade que tem um potencial enorme para abraçar a bicicleta.

A amarelo um percurso que repescamos para ligar as escolas D.Maria II e Carlos Amarante à rede.


Agora comparemos a proposta feita no programa:



Com a proposta já com as nossas alterações:



Segundo o programa, as próximas fases devem passar pela integração das faixas ou pistas cicláveis na malha urbana da seguinte maneira:




Reparem na 1ª proposta e olhem para a que cheguei a apresentar aqui para a 31 de Janeiro:


Consideramos que o programa é válido na maior parte do seu conteúdo, e que seria uma importante mais-valia para a cidade de Braga. Com pequenos ajustes, pode ser a alavanca que a cidade precisa para se colocar na vanguarda da mobilidade sustentável, a nível nacional.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

(Vídeo) Braga Ciclável recebeu o Prémio Nacional da Mobilidade em Bicicleta

FPCUB Prémio Mobilidade em Bicicleta

O Braga Ciclável foi recentemente distinguido pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) com o Prémio Nacional da Mobilidade em Bicicleta, na categoria de Cidadania. Um prémio que honra a cidade de Braga e, muito especialmente, todos quantos se têm empenhado na divulgação e promoção da utilização deste meio de transporte.

Recorde-se que é a segunda vez que Braga conquista este galardão da mobilidade em bicicleta. A primeira vez foi no ano de 2008, em que a Universidade do Minho viu reconhecido pelo júri o seu esforço na implementação do projeto de empréstimo de bicicletas BUTE (projeto esse entretanto já extinto). É bom ver que Braga volta a ganhar novo alento para a questão da mobilidade sustentável e para a pertinência do uso da bicicleta como meio de transporte. E é bom também ver Braga a ser notícia lá fora por bons motivos. Esperemos que para o próximo ano, na próxima edição do Prémio, a cidade de Braga tenha novos e bem maiores motivos para garantir nova conquista deste troféu. Vamos a isto, Braga? :-)

FPCUB Prémio Mobilidade em Bicicleta

O prémio, que é evidentemente de cariz simbólico, foi recebido por um nosso amigo, também ele ciclista, que se disponibilizou para estar presente em Lisboa naquela cerimónia e proferir algumas palavras de circunstância, a quem uma vez mais agradecemos.

Fica, pois, aqui o vídeo (o Braga Ciclável aparece representado aos 13m40s).

A todos os ciclistas bracarenses, à organização dos Encontros com Pedal, ao Mário e ao pessoal do Bracarae, e a todos quantos se têm entusiasmado e empenhado nesta causa, parabéns, e muito obrigado!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Programas eleitorais dos candidatos à Junta de Freguesia de S. Vítor - a mobilidade sustentável

Na reta final do período de campanha para as Eleições Autárquicas de 2013, e na sequência da Carta Aberta recentemente dirigida aos candidatos de Braga, fomos consultar os programas eleitorais dos candidatos à Junta de Freguesia de S. Vítor e selecionamos alguns dos tópicos que dizem respeito ao incentivo e facilitação do uso da bicicleta e, de um modo mais alargado, à promoção da Mobilidade Sustentável.

Esperamos que esta análise possa ser útil para a definição da vossa opção de voto de uma forma mais informada.

Fernando Correia - Cidadania Em Movimento (CEM)

  • Pressionar o executivo municipal para que crie eixos cicláveis que facilitem a mobilidade e acessibilidade às escolas e interfaces de transportes


António Esperança - Coligação Democrática Unitária (CDU / PCP-PEV)

  • Lutar pela conversão da A. Pe. Júlio Fragata, Av. Frei Bartolomeu dos Mártires e Av. João Paulo II em vias com caráter urbano, rejeitando o formato atual de via rápida, através da eliminação da divisão física da freguesia e criando condições para uma utilização mais fácil e segura para os peões e ciclistas.
  • Permitir a circulação de velocípedes nas vias de acesso reservado a transportes públicos na Rua D. Pedro V e Rua Nova de Sta. Cruz.
  • Defender a criação de zonas com limite de velocidade de 30km/h no interior de bairros residenciais e junto a escolas, recorrendo a medidas de acalmia de tráfego e desincentivar o atravessamento automóvel nestas áreas.


Coligação Juntos Por Braga (PPD/PSD, CDS-PP, PPM)

  • Insistência na reformulação da passagem da Rua D. Pedro V com a Rua Nova de Santa Cruz.
  • São Victor Ciclável - investir na promoção do uso da bicicleta, advogando uma freguesia mais amiga do ambiente e mais propícia à prática do exercício físico, bem como da salutar fruição do cicloturismo. Queremos propor itinerários, faixas cicláveis e equipamentos de apoio que permitam concretizar este projeto.


Ricardo Vasconcelos - Partido Socialista (PS)

  • Apoiar e colaborar no projeto de ligação viária e pedonal entre a Rua D. Pedro V e a Rua Nova de Santa Cruz previsto no Programa Estratégico de Reabilitação Urbana do Centro Histórico;
  • Promover a utilização da bicicleta alargando a rede ciclável entre escolas e interfaces de transportes bem como a implementação de um sistema de bicicletas partilhadas;
  • "São Victor Sem Carros" - onde se pretende o encerramento de uma rua ao trânsito automóvel durante um dia (sábado ou domingo), possibilitando a circulação de bicicletas e o aproveitamento do espaço público para outras atividades. Pretende-se ainda a criação de um link na página da freguesia, onde seja possível aos habitantes da freguesia a inscrição das suas ruas;
  • Melhorar a acessibilidade e a qualidade de vida urbana, diminuindo a poluição atmosférica e sonora através de uma maior utilização do transporte público e dos modos suaves, ajudando a autarquia a cumprir as recomendações do Livro Verde.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Programas eleitorais dos candidatos à Câmara Municipal de Braga - a mobilidade sustentável

Na reta final do período de campanha para as Eleições Autárquicas de 2013, e na sequência da Carta Aberta recentemente dirigida aos candidatos de Braga, fomos consultar os programas eleitorais dos cinco candidatos à presidência da Câmara Municipal e selecionamos alguns dos tópicos que dizem respeito ao incentivo e facilitação do uso da bicicleta e, de um modo mais alargado, à promoção da Mobilidade Sustentável.

Esperamos que esta análise possa ser útil para a definição da vossa opção de voto de uma forma mais informada. Para referência, e também porque as citações abaixo foram retiradas do seu contexto original, incluímos em cada caso ligações para os documentos originais.

Cidadania Em Movimento (CEM)

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  • Elaboração de um Plano de Mobilidade e Transportes que, contribuindo para a estruturação territorial e urbana, tenha em especial atenção o melhoramento do sistema de transportes públicos.
  • Requalificação, em articulação com o Plano de Mobilidade, das vias rápidas que hoje espartilham e retalham a cidade, transformando-as em ruas, avenidas e “boulevards” compatíveis com o carácter urbano que lhes é adequado.
  • Criação de corredores para os diversos meios de transporte público e procurar cruzá-los em pontos intermodais. Serão meios complementares aos quais será associada a criação de uma tarifa plana (passe intermodal).
  • Estabelecimento da ligação física e funcional entre a estrutura citadina e o campus universitário através da requalificação de um canal que, pensado sobretudo em termos pedonais e cicláveis, deverá ser permeável e articulado com as principais estações de transportes coletivos.
  • Constituição de pequenos parques de estacionamento para veículos privados em locais estratégicos, associando-os ao sistema de transporte público.
  • Reinvenção de formas de circulação nas zonas pedonais, nomeadamente através de um transporte público não poluente, de acordo com as necessidades da vida que aí ocorre – habitação, comércio e serviços – e promover meios de distribuição porta-a-porta.
  • Valorização, em parceria com os municípios vizinhos, do rio Cávado como unificador de diversos espaços de lazer, ligando esse eixo à cidade através de corredores verdes que valorizem estruturas ambientais existentes. Defesa da articulação destes espaços através de ecovias que venham a ligar a foz à nascente, na Serra do Larouco, e ao Gerês.

Coligação Democrática Unitária (CDU / PCP-PEV)

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  • Requalificar o parque habitacional e os espaços exteriores em articulação com as comunidades locais, dotando-os de equipamentos necessários à promoção de estilos de vida saudáveis;
  • Combater a urbanização difusa e contrair o perímetro urbano, reduzindo a área urbanizável em 10%
  • Promover a retirada do centro da cidade do tráfego de atravessamento, criando uma circular a norte e a nascente da cidade, encerrando a malha pesada destinada a maior tráfego e a maior velocidade;
  • Criar uma nova via de perfil urbano que faça a ligação entre Ferreiros e Nogueira;
  • Hierarquizar de forma clara e perceptível a todos a rede viária do concelho;
  • Valorização das vias de hierarquia superior, conduzindo ao seu reperfilamento para um carácter mais urbano, promovendo a redução da largura das vias, a eliminação de separadores centrais, a sua adequação ao limite de 50 km/h, a instalação de vias cicláveis com separação física, a criação de canais dedicados ao transporte público, o alargamento de passeios e a instalação de passadeiras, a arborização sistemática, entre outros;
  • Conversão das vias de hierarquia inferior (aquelas que correspondem ao interior dos bairros) em zonas de 30 km/h com vista ao incremento da segurança e convivência salutar entre modos de transporte, sinalizando ostensivamente recorrendo se necessário à coloração do pavimento, proibindo o tráfego de pesados, estrangulando as entradas e criando chicanes, reduzindo o espaço dedicado à circulação automóvel, ordenando o estacionamento, aumentando o espaço para peões e subordinando o mesmo aos seus percursos preferenciais;
  • Criação de rede de parques de estacionamento de elevada capacidade e com condições de segurança, na periferia da cidade e interligados com a rede de transportes públicos;
  • Implementação de sistema de bicicletas partilhadas que implique uma rede de pontos de recolha numerosa, alargada e dispersa na cidade, a par da criação de parques de estacionamento para velocípedes junto de paragens de transporte público;
  • Desenvolver campanhas de sensibilização com vista ao incremento do uso de transportes públicos e modos suaves de mobilidade;
  • Introdução em instrumentos de natureza regulamentar de medidas de promoção de coberturas e fachadas verdes, de aproveitamento energético, a par com exigências de dotações de estacionamento para velocípedes;
  • Criar soluções para a utilização de modos suaves, como incentivo junto dos jovens à sua utilização como forma de transporte prática, ecológica e saudável.
  • Elaborar a Carta dos Espaços Naturais para Práticas de Actividades Físicas para o levantamento dos espaços destinados ao pedestrianismo (trilhos devidamente sinalizados para caminhadas), percursos de BTT, locais para destinados ao Parapente, rochas equipadas para a escalada, etc.;
  • Promover a prática desportiva no Rio Cávado, nomeadamente, no apoio ao desenvolvimento do Clube Fluvial de Merelim S. Paio, na promoção da oferta de desportos náuticos pelos SASUM, na construção de uma ciclovia na margem do Rio ao longo de todo o concelho;
  • Promover pistas de BTT e downhill já existentes no concelho;
  • Descentralizar os espaços destinados a práticas de desportos radicais, nomeadamente skate e BMX;

Coligação Juntos Por Braga (PPD/PSD, CDS-PP, PPM)

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  • Desenvolvimento de um abrangente Plano de Acessibilidades Pedonal em toda a malha urbana do Concelho
  • Criação de Ciclovias, Ecopistas e Circuitos de Manutenção
  • Re-ligação pedonal da Rua Nova de Santa Cruz à Rua D. Pedro V, promovendo a aproximação da população universitária do centro da cidade;
  • Introdução de novas ciclovias e promoção de modos suaves de transporte
  • Desenvolvimento de projecto para Interface de Transportes na envolvente da Estação de Caminho de Ferro;

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

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  • Promover uma política completamente nova para os TRANSPORTES PÚBLICOS URBANOS, com a substituição da atual frota, por AUTOCARROS não POLUENTES e SILENCIOSOS. Os Grandes autocarros não devem entrar no centro da cidade, sendo substituídos por pequenos AUTOCARROS ELÉCTRICOS capazes inclusivamente de servir o Centro Histórico. Defendemos também o alargamento dos horários até às 24 horas durante a semana e às 02 horas no fim de semana, e a RETIRADA IMEDIATA do trânsito particular do CENTRO HISTÓRICO.
  • Dar a maior prioridade às questões da SEGURANÇA, um dos maiores FLAGELOS dos nossos munícipes
  • Construção de um Teleférico sobre o triângulo turístico de Braga.

Partido Socialista (PS)

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  • Apoiar projectos de escolas que envolvam a Quinta Pedagógica e a Escola de Prevenção Rodoviária.
  • Lançar uma rede de ciclovias integradas nos parques e eixos viários, aproveitando as condições naturais das zonas envolventes e a sua conexão à cidade de Braga.
  • Fomentar a prática de atividade física e desporto em idade escolar.
  • Assim, numa perspetiva de sustentabilidade ambiental, energética, económica e social, determinantes essenciais de uma verdadeira cidade inteligente, é necessário promover uma maior utilização dos modos suaves e dos transportes coletivos.
  • Braga já aderiu ao “Pacto de Autarcas” que é o principal movimento europeu a envolver autarquias locais e regionais que voluntariamente se empenham no aumento da eficiência energética e na utilização de fontes de energias renováveis nos respetivos territórios. Através do seu compromisso, os Signatários pretendem atingir e ultrapassar o objetivo da União Europeia de reduzir o CO2 em 20% até 2020.
  • Prolongamento do túnel da rotunda das piscinas, de modo a ligar a Rua D. Pedro V à Rua Nova de Santa Cruz. Esta ligação permitirá o acesso automóvel, ciclável e pedonal entre o centro da cidade e a Universidade do Minho.
  • Privilegiar a utilização dos modos suaves e dos transportes coletivos, como tem acontecido com o modo pedonal. A promoção do modo bicicleta faz todo o sentido, quer na componente de reestruturação das vias, quer na componente de disponibilização dos meios (bike sharing).
  • Criar melhores condições de circulação do modo coletivo atualmente existente (BUS), designadamente nos eixos mais sujeitos a congestionamento, de modo a que se torne cada vez mais uma alternativa viável ao automóvel privado.
  • Aumentar a frequência de passagem do operador urbano de transporte coletivo (TUB) entre os principais pontos geradores de fluxos da cidade, de modo a estimular a sua utilização, promovendo a utilização de tecnologias ambientalmente mais eficientes.
  • Estudar a viabilidade económica de um transporte coletivo de grande capacidade, a circular em linha dedicada entre a Estação CF e a UM/Novo Hospital, atravessando a zona central da cidade. Devem ser equacionadas diversas alternativas (elétricos rápidos - trams, metro de superfície, metro bus).
  • Estudar a criação de uma verdadeira estação intermodal que consiga agregar os diversos modos que servem a cidade, como: o comboio, os autocarros expresso e interurbanos, os da TUB e outros.
  • Criar uma Rede Ecológica Municipal de Parques, ligada por corredores verdes, em cada ponto cardinal da cidade (Parque Norte, Sete Fontes, Parque da Ponte/Picoto, Parque na Zona Po- ente) que perfazem 123 hectares.
  • Criar um corredor verde contínuo ao longo das margens do Rio Cávado, desde Pousada até Padim da Graça.
  • Dinamizar e criar um roteiro de cicloturismo que possa potenciar a rede de ciclovias existentes e as que estão planeadas a construir, integrando com a rede de transportes públicos.



Regresso às aulas, em Braga

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Vai ser uma grande festa, este sábado: 1º Gualtar Ciclável

Este sábado a Braga+, em parceria com os Encontros com Pedal e com o Braga Ciclável, realiza na Encosta do Sol a primeira edição do Gualtar Ciclável, um evento com o objetivo de festejar a Semana Europeia da Mobilidade e o Dia Europeu sem Carros!

O programa, que promete muita animação, começa às 18h00 com jogos tradicionais e vai pela noite dentro até culminar com um toque de campainhas a assinalar o Dia Europeu Sem Carros. Pelo meio, diz que haverá caldo verde e outros petiscos… Convidamos, por isso, todos a levar a bicicleta ou, se preferirem, podem mesmo ir a pé ou de autocarro.

I Gualtar Ciclável

Para todos os que quiserem ir de bicicleta, será combinado um ponto de encontro no centro para o seguir depois em grupo para Gualtar, onde se realizará esta grande festa.

Mais informações poderão ser obtidas na página oficial do evento no Facebook.

É já este sábado. Vamos lá pedalar?

domingo, 8 de setembro de 2013

Debate sobre Mobilidade Ciclável em Braga - resumo e documentação

No passado dia 18 de julho, realizou-se em Braga, no GNRation, um debate sobre o tema "Mobilidade Ciclável em Braga", dinamizado pela Associação Braga+. O tempo foi passando, entretanto, mas mais vale tarde do que nunca. Porque o que por ali foi dito e discutido merece ser guardado para memória futura e para alicerçar futuras reflexões e futuros desenvolvimentos em torno desta matéria, aqui fica um breve resumo e (mais importante ainda) a documentação com o conteúdo das apresentações dos vários oradores.

No painel de oradores, recorde-se, estiveram presentes o Eng. Baptista da Costa, o Ricardo Cruz (MUBi), Tiago Carvalho (FPCUB), Artur Silva (TUB) e este vosso amigo, em representação do Braga Ciclável.

Eng. Baptista da Costa - "A Nossa Avenida"

Baptista da Costa

Depois de um enquadramento geográfico da cidade de Braga, o Eng. Baptista da Costa identificou como um dos principais problemas a existência de uma "muralha do automóvel" em pleno centro urbano, constituída por um anel de ruas e avenidas com perfil de autoestrada. Para além de ter o seu maior polo universitário situado fora da cidade (ou melhor, fora da "muralha"), existe atualmente uma rodovia que se constitui como uma espécie de "cicatriz" na cidade, separando-a em duas metades, a norte e a sul. Essa "cicatriz" estende-se ao longo de cerca de 7km, desde Ferreiros até S. Pedro de Este. É pois, urgente, curar essa cicatriz, "remover montanhas" e "abrir portas" na indesejada muralha.

Baptista abrir portas

No entender deste especialista, a localização privilegiada dessa via permitiria criar "A Nossa Avenida", uma nova centralidade para a cidade de Braga, em que esta passaria a crescer ao longo de um território plano, entre Ferreiros e S. Pedro de Este. Nessa larga avenida, que teria como função unir a cidade num espaço destinado sobretudo à sua fruição por parte dos cidadãos, seria reposta a hierarquia natural do espaço público, dando destaque em primeiro lugar aos peões, seguindo-se as bicicletas, os transportes públicos e, por fim, "com o espaço que restasse", o tráfego automóvel.

Baptista perfil avenida

Para ilustrar aquilo que considera que pode ser feito na cidade de Braga, trouxe os exemplos de outras cidades que têm apostado na bicicleta como parte da solução para a sua renovação: Montreal, Nantes, Seattle, Copenhaga, Abu Dhabi.

A proposta do Eng. Baptista da Costa, de aproveitar a zona plana ao longo do rio Este, permite fazer cidade ao longo de 15 km sem declives acentuados, o que seria bom para os transportes públicos, bom para andar a pé e, claro, bom para andar de bicicleta.

Baptista abrir portas

Resumindo a sua intervenção, lembrou que nos próximos tempos a cidade de Braga precisa de "remover as montanhas" que foi erguendo ao longo das últimas décadas. Não é aceitável, por exemplo, que para atravessar uma destas avenidas com perfil de via rápida seja necessário atualmente percorrer cerca de 1000 metros. O que deve estar na nossa mira, lembra, é o lema de "criar lugares onde as nossas crianças podem brincar e os pais podem envelhecer confortavelmente".

O texto de apoio à apresentação do Eng. Baptista da Costa pode ser lido aqui e os diapositivos mostrados durante a sessão também estão disponíveis para consulta aqui.

Ricardo Cruz (MUBi)

Ricardo cruz MUBi

Ricardo Cruz, representante da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi), fez-se deslocar da Maia até Braga de bicicleta, dando o exemplo de como a bicicleta pode ser um meio de transporte prático no dia-a-dia, mesmo em distâncias maiores (e não, não chegou suado, note-se). Falou-nos na MUBi e nos seus projetos, incluindo a iniciativa Sexta de Bicicleta, o programa de mentorado Bike Buddy, a campanha Rodas de Mudança e o Selo MUBi "Empresa Amiga da Bicicleta".

Seguidamente, Ricardo Cruz abordou algumas das formas como uma cidade como Braga pode aperfeiçoar a sua rede viária por forma a melhor acolher os ciclistas. As medidas possíveis vão desde a integração total da bicicleta no tráfego (utilizando as mesmas vias, mas adotando medidas de proteção como as que conduzem à acalmia de trânsito) à sua total segregação (vias separadas exclusivas para ciclistas). Cada uma dessas soluções terá aplicação prática em diferentes contextos, no entanto, salientou Ricardo Cruz, "o automóvel tem de reduzir a velocidade no meio urbano e deve sair do centro da cidade".

O orador exemplificou ainda algumas das formas que têm sido utilizadas com sucesso noutras cidades para induzir a desejada acalmia de tráfego, bem como alguns erros a evitar na conceção de vias a serem utilizadas por ciclistas.

O relato pessoal do Ricardo Cruz pode ser encontrado no seu blog Bicla no Porto, e os diapositivos da apresentação da MUBi podem ser vistos aqui:

Tiago Carvalho (FPCUB)

Tiago carvalho fpcub

A intervenção da FPCUB também chamou a atenção da plateia para a necessidade de dar às cidades uma escala humana e investir em medidas de acalmia de trânsito.

De acordo com Tiago Carvalho, membro do Conselho Consultivo para a Mobilidade Sustentável da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta (FPCUB), "o automóvel não é como um telemóvel ou um aspirador: não podemos todos tê-lo sem que os seus propósitos iniciais de melhoria da nossa qualidade de vida saiam frustrados". Por outro lado, "O uso generalizado do automóvel prejudica toda a sociedade; o uso generalizado dos transportes públicos e dos modos suaves, combinado com uma certa percentagem de uso particular do automóvel gera benefícios para todos".

Entre as operações de "acunpunctura urbana" destinadas à promoção de uma cultura mais lenta, de escala local, de mobilidade suave, Tiago Carvalho destacou por exemplo a "pedonalização de ruas no centro histórico ou em bairros residenciais"; o "alargamento de passeios e de percursos pedonais na cidade, a par da sua arborização e instalação de mobiliário urbano, como bancos, mesas e quiosques que promovam a permanência de pessoas nas ruas"; a "introdução de zonas 30 e medidas de acalmia de tráfego" e a "instalação de mobiliário urbano que permita o estacionamento de bicicletas em condições de segurança e de outros aprestos que promovam a flexibilidade entre as várias tipologias de transportes públicos, expandindo o alcance da bicicleta para novas áreas".

Ainda antes de terminar, o representante da FPCUB alertou para a necessidade de investir ativamente na promoção da bicicleta enquanto meio de transporte em escolas e universidades, de modo a incutir nas camadas mais jovens uma nova cultura mais voltada para a mobilidade sustentável.

O conteudo desta apresentação pode ser lido aqui.

Artur Silva (TUB)

Artur silva tub

Artur Silva, membro do Concelho de Administração da Empresa Municipal Transportes Urbanos de Braga (TUB), abordou na sua apresentação o TUBiclas, um projeto dos TUB para a integração da bicicleta no serviço dos transportes públicos da cidade de Braga. O projeto, que por falta de financiamento terá acabado por ficar na gaveta, contemplava três medidas principais: a criação de estações de parqueamento coberto para bicicletas, cujo uso seria pago, mas que estariam preparadas para guardar as bicicletas de forma segura durante períodos prolongados; a disponibilização dos meios de mobilidade (bicicletas eléctricas); e a complementaridade com os transportes colectivos, através do transporte das bicicletas a bordo dos autocarros.

Tubiclas estacionamento bicicleta

Escusado será dizer que esta intervenção prendeu a atenção de toda a plateia. Não só por ser um projeto ambicioso para a cidade de Braga que muitos desconheciam, mas sobretudo porque, apesar das suas virtudes e eventuais defeitos, o projeto TUBiclas terá sido arquivado por alegada falta de financiamento. Sentiu-se entre os presentes uma onda de descontentamento geral e houve até quem fizesse as contas de cabeça, para verificar até que ponto a autarquia dispunha ou não de meios de financiamento para um projeto daquela importância…

A apresentação de Artur Silva apontou também algumas das vantagens do uso da bicicleta como meio de transporte, descrevendo-a como "uma peça fundamental para uma Mobilidade Urbana Inteligente".

Para quem afirma que Braga nunca teve tradição do uso da bicicleta, as imagens que Artur Silva mostrou, retiradas de um filme antigo sobre a fábrica Pachancho, servirão para trar todas as dúvidas. Já nessa altura muitos trabalhadores usavam a bicicleta em Braga para se deslocarem diariamente para os seus postos de trabalho.

Outro momento alto desta apresentação foi quando surgiu na tela um mapa referente à revisão do Plano Diretor Municipal - a assistência ficou a saber que o PDM em elaboração contemplaria finalmente uma "Rede de percursos e Corredores Cicláveis - Rede de uso Quotidiano".

Tub revisao pdm rede ciclavel

Os diapositivos que foram mostrados durante a intervenção de Artur Silva podem ser consultados aqui.

Victor Domingos (Braga Ciclável)

Victor domingos braga ciclavel O Braga Ciclável esteve também representado na mesa de oradores, para falar sobretudo da Proposta para Uma Mobilidade Sustentável. Contei como nasceu a Proposta e o trabalho que foi sendo feito na sua divulgação junto dos destinatários, e apresentei algumas das medidas que temos considerado mais urgentes, como é o caso dos estacionamentos para bicicletas no centro e a criação de um eixo ciclável estruturante entre a Estação de Braga, o centro da cidade e o Campus de Gualtar.

Debate

No final destas apresentações, houve espaço para questões do público e para o debate propriamente dito. Entre a plateia, encontravam-se Carlos Almeida (PCP/CDU), Fátima Pereira (PSD/Juntos Por Braga) e Dário Silva (Cidadania em Movimento), que falaram em nome das respetivas candidaturas às próximas eleições autárquicas na cidade de Braga. Todos eles se mostraram sensibilizados para a necessidade de apostar no desenvolvimento de uma mobilidade sustentável, apostando numa conceção estratégica da cidade, no incentivo ao uso da bicicleta e no melhoramento da rede de transportes públicos.

Carlos almeida cdu braga

Também participou no debate Rui Marques, director-geral da Associação Comercial de Braga (ACB), referindo que recebe regularmente feedback dos empresários bracarenses da área da restauração, com muitos pedidos de turistas que desejam usar a bicicleta para se deslocarem dentro da cidade de Braga ou para visitarem localidades vizinhas, como Guimarães. Rui Marques não deixou de salientar que "a questão da mobilidade urbana sustentável e o eixo ciclável estão no caderno de encargos da ACB para o próximo ciclo de governação" e que "só por falta de sensibilidade política para o bem comum é que as propostas do Braga Ciclável não serão implementadas".

Rui Marques ACB

Estranhamente, não compareceu nenhum representante da candidatura do PS ou do atual executivo da Câmara Municipal de Braga. O que até foi pena, pois passada uma ou duas semanas a CMB inaugurou no centro uma interessante exposição onde dava destaque a projetos futuros que incluíam novos espaços verdes e cerca de 29km de ciclovias. A presença do Presidente ou do Vice-Presidente da Câmara, ou pelo menos do vereador do Trânsito, seria a nosso ver plenamente justificada e teria trazido um valioso contributo para o debate, que sairia enriquecido com elementos adicionais.

Ainda assim, foi ótimo constatar que a plateia esteve praticamente cheia do início ao fim do evento, que se prolongou até depois da meia-noite, demonstrando que esta é uma questão crucial que está realmente na ordem da dia em Braga. Foi também extremamente positivo verificar que todas as forças políticas estão de acordo quanto à necessidade de dotar a cidade de melhores infraestruturas para o uso da bicicleta como meio de transporte e de reforçar os transportes públicos. Podemos por isso esperar, a médio prazo, que a cidade de Braga irá reduzirá o número de automóveis a circular no seu interior, mas favorecendo simultaneamente o desenvolvimento económico e a melhoria da qualidade de vida da sua população.