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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Programas eleitorais dos candidatos à Câmara Municipal de Braga - a mobilidade sustentável

Na reta final do período de campanha para as Eleições Autárquicas de 2013, e na sequência da Carta Aberta recentemente dirigida aos candidatos de Braga, fomos consultar os programas eleitorais dos cinco candidatos à presidência da Câmara Municipal e selecionamos alguns dos tópicos que dizem respeito ao incentivo e facilitação do uso da bicicleta e, de um modo mais alargado, à promoção da Mobilidade Sustentável.

Esperamos que esta análise possa ser útil para a definição da vossa opção de voto de uma forma mais informada. Para referência, e também porque as citações abaixo foram retiradas do seu contexto original, incluímos em cada caso ligações para os documentos originais.

Cidadania Em Movimento (CEM)

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  • Elaboração de um Plano de Mobilidade e Transportes que, contribuindo para a estruturação territorial e urbana, tenha em especial atenção o melhoramento do sistema de transportes públicos.
  • Requalificação, em articulação com o Plano de Mobilidade, das vias rápidas que hoje espartilham e retalham a cidade, transformando-as em ruas, avenidas e “boulevards” compatíveis com o carácter urbano que lhes é adequado.
  • Criação de corredores para os diversos meios de transporte público e procurar cruzá-los em pontos intermodais. Serão meios complementares aos quais será associada a criação de uma tarifa plana (passe intermodal).
  • Estabelecimento da ligação física e funcional entre a estrutura citadina e o campus universitário através da requalificação de um canal que, pensado sobretudo em termos pedonais e cicláveis, deverá ser permeável e articulado com as principais estações de transportes coletivos.
  • Constituição de pequenos parques de estacionamento para veículos privados em locais estratégicos, associando-os ao sistema de transporte público.
  • Reinvenção de formas de circulação nas zonas pedonais, nomeadamente através de um transporte público não poluente, de acordo com as necessidades da vida que aí ocorre – habitação, comércio e serviços – e promover meios de distribuição porta-a-porta.
  • Valorização, em parceria com os municípios vizinhos, do rio Cávado como unificador de diversos espaços de lazer, ligando esse eixo à cidade através de corredores verdes que valorizem estruturas ambientais existentes. Defesa da articulação destes espaços através de ecovias que venham a ligar a foz à nascente, na Serra do Larouco, e ao Gerês.

Coligação Democrática Unitária (CDU / PCP-PEV)

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  • Requalificar o parque habitacional e os espaços exteriores em articulação com as comunidades locais, dotando-os de equipamentos necessários à promoção de estilos de vida saudáveis;
  • Combater a urbanização difusa e contrair o perímetro urbano, reduzindo a área urbanizável em 10%
  • Promover a retirada do centro da cidade do tráfego de atravessamento, criando uma circular a norte e a nascente da cidade, encerrando a malha pesada destinada a maior tráfego e a maior velocidade;
  • Criar uma nova via de perfil urbano que faça a ligação entre Ferreiros e Nogueira;
  • Hierarquizar de forma clara e perceptível a todos a rede viária do concelho;
  • Valorização das vias de hierarquia superior, conduzindo ao seu reperfilamento para um carácter mais urbano, promovendo a redução da largura das vias, a eliminação de separadores centrais, a sua adequação ao limite de 50 km/h, a instalação de vias cicláveis com separação física, a criação de canais dedicados ao transporte público, o alargamento de passeios e a instalação de passadeiras, a arborização sistemática, entre outros;
  • Conversão das vias de hierarquia inferior (aquelas que correspondem ao interior dos bairros) em zonas de 30 km/h com vista ao incremento da segurança e convivência salutar entre modos de transporte, sinalizando ostensivamente recorrendo se necessário à coloração do pavimento, proibindo o tráfego de pesados, estrangulando as entradas e criando chicanes, reduzindo o espaço dedicado à circulação automóvel, ordenando o estacionamento, aumentando o espaço para peões e subordinando o mesmo aos seus percursos preferenciais;
  • Criação de rede de parques de estacionamento de elevada capacidade e com condições de segurança, na periferia da cidade e interligados com a rede de transportes públicos;
  • Implementação de sistema de bicicletas partilhadas que implique uma rede de pontos de recolha numerosa, alargada e dispersa na cidade, a par da criação de parques de estacionamento para velocípedes junto de paragens de transporte público;
  • Desenvolver campanhas de sensibilização com vista ao incremento do uso de transportes públicos e modos suaves de mobilidade;
  • Introdução em instrumentos de natureza regulamentar de medidas de promoção de coberturas e fachadas verdes, de aproveitamento energético, a par com exigências de dotações de estacionamento para velocípedes;
  • Criar soluções para a utilização de modos suaves, como incentivo junto dos jovens à sua utilização como forma de transporte prática, ecológica e saudável.
  • Elaborar a Carta dos Espaços Naturais para Práticas de Actividades Físicas para o levantamento dos espaços destinados ao pedestrianismo (trilhos devidamente sinalizados para caminhadas), percursos de BTT, locais para destinados ao Parapente, rochas equipadas para a escalada, etc.;
  • Promover a prática desportiva no Rio Cávado, nomeadamente, no apoio ao desenvolvimento do Clube Fluvial de Merelim S. Paio, na promoção da oferta de desportos náuticos pelos SASUM, na construção de uma ciclovia na margem do Rio ao longo de todo o concelho;
  • Promover pistas de BTT e downhill já existentes no concelho;
  • Descentralizar os espaços destinados a práticas de desportos radicais, nomeadamente skate e BMX;

Coligação Juntos Por Braga (PPD/PSD, CDS-PP, PPM)

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  • Desenvolvimento de um abrangente Plano de Acessibilidades Pedonal em toda a malha urbana do Concelho
  • Criação de Ciclovias, Ecopistas e Circuitos de Manutenção
  • Re-ligação pedonal da Rua Nova de Santa Cruz à Rua D. Pedro V, promovendo a aproximação da população universitária do centro da cidade;
  • Introdução de novas ciclovias e promoção de modos suaves de transporte
  • Desenvolvimento de projecto para Interface de Transportes na envolvente da Estação de Caminho de Ferro;

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

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  • Promover uma política completamente nova para os TRANSPORTES PÚBLICOS URBANOS, com a substituição da atual frota, por AUTOCARROS não POLUENTES e SILENCIOSOS. Os Grandes autocarros não devem entrar no centro da cidade, sendo substituídos por pequenos AUTOCARROS ELÉCTRICOS capazes inclusivamente de servir o Centro Histórico. Defendemos também o alargamento dos horários até às 24 horas durante a semana e às 02 horas no fim de semana, e a RETIRADA IMEDIATA do trânsito particular do CENTRO HISTÓRICO.
  • Dar a maior prioridade às questões da SEGURANÇA, um dos maiores FLAGELOS dos nossos munícipes
  • Construção de um Teleférico sobre o triângulo turístico de Braga.

Partido Socialista (PS)

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  • Apoiar projectos de escolas que envolvam a Quinta Pedagógica e a Escola de Prevenção Rodoviária.
  • Lançar uma rede de ciclovias integradas nos parques e eixos viários, aproveitando as condições naturais das zonas envolventes e a sua conexão à cidade de Braga.
  • Fomentar a prática de atividade física e desporto em idade escolar.
  • Assim, numa perspetiva de sustentabilidade ambiental, energética, económica e social, determinantes essenciais de uma verdadeira cidade inteligente, é necessário promover uma maior utilização dos modos suaves e dos transportes coletivos.
  • Braga já aderiu ao “Pacto de Autarcas” que é o principal movimento europeu a envolver autarquias locais e regionais que voluntariamente se empenham no aumento da eficiência energética e na utilização de fontes de energias renováveis nos respetivos territórios. Através do seu compromisso, os Signatários pretendem atingir e ultrapassar o objetivo da União Europeia de reduzir o CO2 em 20% até 2020.
  • Prolongamento do túnel da rotunda das piscinas, de modo a ligar a Rua D. Pedro V à Rua Nova de Santa Cruz. Esta ligação permitirá o acesso automóvel, ciclável e pedonal entre o centro da cidade e a Universidade do Minho.
  • Privilegiar a utilização dos modos suaves e dos transportes coletivos, como tem acontecido com o modo pedonal. A promoção do modo bicicleta faz todo o sentido, quer na componente de reestruturação das vias, quer na componente de disponibilização dos meios (bike sharing).
  • Criar melhores condições de circulação do modo coletivo atualmente existente (BUS), designadamente nos eixos mais sujeitos a congestionamento, de modo a que se torne cada vez mais uma alternativa viável ao automóvel privado.
  • Aumentar a frequência de passagem do operador urbano de transporte coletivo (TUB) entre os principais pontos geradores de fluxos da cidade, de modo a estimular a sua utilização, promovendo a utilização de tecnologias ambientalmente mais eficientes.
  • Estudar a viabilidade económica de um transporte coletivo de grande capacidade, a circular em linha dedicada entre a Estação CF e a UM/Novo Hospital, atravessando a zona central da cidade. Devem ser equacionadas diversas alternativas (elétricos rápidos - trams, metro de superfície, metro bus).
  • Estudar a criação de uma verdadeira estação intermodal que consiga agregar os diversos modos que servem a cidade, como: o comboio, os autocarros expresso e interurbanos, os da TUB e outros.
  • Criar uma Rede Ecológica Municipal de Parques, ligada por corredores verdes, em cada ponto cardinal da cidade (Parque Norte, Sete Fontes, Parque da Ponte/Picoto, Parque na Zona Po- ente) que perfazem 123 hectares.
  • Criar um corredor verde contínuo ao longo das margens do Rio Cávado, desde Pousada até Padim da Graça.
  • Dinamizar e criar um roteiro de cicloturismo que possa potenciar a rede de ciclovias existentes e as que estão planeadas a construir, integrando com a rede de transportes públicos.



Regresso às aulas, em Braga

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Vai ser uma grande festa, este sábado: 1º Gualtar Ciclável

Este sábado a Braga+, em parceria com os Encontros com Pedal e com o Braga Ciclável, realiza na Encosta do Sol a primeira edição do Gualtar Ciclável, um evento com o objetivo de festejar a Semana Europeia da Mobilidade e o Dia Europeu sem Carros!

O programa, que promete muita animação, começa às 18h00 com jogos tradicionais e vai pela noite dentro até culminar com um toque de campainhas a assinalar o Dia Europeu Sem Carros. Pelo meio, diz que haverá caldo verde e outros petiscos… Convidamos, por isso, todos a levar a bicicleta ou, se preferirem, podem mesmo ir a pé ou de autocarro.

I Gualtar Ciclável

Para todos os que quiserem ir de bicicleta, será combinado um ponto de encontro no centro para o seguir depois em grupo para Gualtar, onde se realizará esta grande festa.

Mais informações poderão ser obtidas na página oficial do evento no Facebook.

É já este sábado. Vamos lá pedalar?

domingo, 8 de setembro de 2013

Debate sobre Mobilidade Ciclável em Braga - resumo e documentação

No passado dia 18 de julho, realizou-se em Braga, no GNRation, um debate sobre o tema "Mobilidade Ciclável em Braga", dinamizado pela Associação Braga+. O tempo foi passando, entretanto, mas mais vale tarde do que nunca. Porque o que por ali foi dito e discutido merece ser guardado para memória futura e para alicerçar futuras reflexões e futuros desenvolvimentos em torno desta matéria, aqui fica um breve resumo e (mais importante ainda) a documentação com o conteúdo das apresentações dos vários oradores.

No painel de oradores, recorde-se, estiveram presentes o Eng. Baptista da Costa, o Ricardo Cruz (MUBi), Tiago Carvalho (FPCUB), Artur Silva (TUB) e este vosso amigo, em representação do Braga Ciclável.

Eng. Baptista da Costa - "A Nossa Avenida"

Baptista da Costa

Depois de um enquadramento geográfico da cidade de Braga, o Eng. Baptista da Costa identificou como um dos principais problemas a existência de uma "muralha do automóvel" em pleno centro urbano, constituída por um anel de ruas e avenidas com perfil de autoestrada. Para além de ter o seu maior polo universitário situado fora da cidade (ou melhor, fora da "muralha"), existe atualmente uma rodovia que se constitui como uma espécie de "cicatriz" na cidade, separando-a em duas metades, a norte e a sul. Essa "cicatriz" estende-se ao longo de cerca de 7km, desde Ferreiros até S. Pedro de Este. É pois, urgente, curar essa cicatriz, "remover montanhas" e "abrir portas" na indesejada muralha.

Baptista abrir portas

No entender deste especialista, a localização privilegiada dessa via permitiria criar "A Nossa Avenida", uma nova centralidade para a cidade de Braga, em que esta passaria a crescer ao longo de um território plano, entre Ferreiros e S. Pedro de Este. Nessa larga avenida, que teria como função unir a cidade num espaço destinado sobretudo à sua fruição por parte dos cidadãos, seria reposta a hierarquia natural do espaço público, dando destaque em primeiro lugar aos peões, seguindo-se as bicicletas, os transportes públicos e, por fim, "com o espaço que restasse", o tráfego automóvel.

Baptista perfil avenida

Para ilustrar aquilo que considera que pode ser feito na cidade de Braga, trouxe os exemplos de outras cidades que têm apostado na bicicleta como parte da solução para a sua renovação: Montreal, Nantes, Seattle, Copenhaga, Abu Dhabi.

A proposta do Eng. Baptista da Costa, de aproveitar a zona plana ao longo do rio Este, permite fazer cidade ao longo de 15 km sem declives acentuados, o que seria bom para os transportes públicos, bom para andar a pé e, claro, bom para andar de bicicleta.

Baptista abrir portas

Resumindo a sua intervenção, lembrou que nos próximos tempos a cidade de Braga precisa de "remover as montanhas" que foi erguendo ao longo das últimas décadas. Não é aceitável, por exemplo, que para atravessar uma destas avenidas com perfil de via rápida seja necessário atualmente percorrer cerca de 1000 metros. O que deve estar na nossa mira, lembra, é o lema de "criar lugares onde as nossas crianças podem brincar e os pais podem envelhecer confortavelmente".

O texto de apoio à apresentação do Eng. Baptista da Costa pode ser lido aqui e os diapositivos mostrados durante a sessão também estão disponíveis para consulta aqui.

Ricardo Cruz (MUBi)

Ricardo cruz MUBi

Ricardo Cruz, representante da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi), fez-se deslocar da Maia até Braga de bicicleta, dando o exemplo de como a bicicleta pode ser um meio de transporte prático no dia-a-dia, mesmo em distâncias maiores (e não, não chegou suado, note-se). Falou-nos na MUBi e nos seus projetos, incluindo a iniciativa Sexta de Bicicleta, o programa de mentorado Bike Buddy, a campanha Rodas de Mudança e o Selo MUBi "Empresa Amiga da Bicicleta".

Seguidamente, Ricardo Cruz abordou algumas das formas como uma cidade como Braga pode aperfeiçoar a sua rede viária por forma a melhor acolher os ciclistas. As medidas possíveis vão desde a integração total da bicicleta no tráfego (utilizando as mesmas vias, mas adotando medidas de proteção como as que conduzem à acalmia de trânsito) à sua total segregação (vias separadas exclusivas para ciclistas). Cada uma dessas soluções terá aplicação prática em diferentes contextos, no entanto, salientou Ricardo Cruz, "o automóvel tem de reduzir a velocidade no meio urbano e deve sair do centro da cidade".

O orador exemplificou ainda algumas das formas que têm sido utilizadas com sucesso noutras cidades para induzir a desejada acalmia de tráfego, bem como alguns erros a evitar na conceção de vias a serem utilizadas por ciclistas.

O relato pessoal do Ricardo Cruz pode ser encontrado no seu blog Bicla no Porto, e os diapositivos da apresentação da MUBi podem ser vistos aqui:

Tiago Carvalho (FPCUB)

Tiago carvalho fpcub

A intervenção da FPCUB também chamou a atenção da plateia para a necessidade de dar às cidades uma escala humana e investir em medidas de acalmia de trânsito.

De acordo com Tiago Carvalho, membro do Conselho Consultivo para a Mobilidade Sustentável da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta (FPCUB), "o automóvel não é como um telemóvel ou um aspirador: não podemos todos tê-lo sem que os seus propósitos iniciais de melhoria da nossa qualidade de vida saiam frustrados". Por outro lado, "O uso generalizado do automóvel prejudica toda a sociedade; o uso generalizado dos transportes públicos e dos modos suaves, combinado com uma certa percentagem de uso particular do automóvel gera benefícios para todos".

Entre as operações de "acunpunctura urbana" destinadas à promoção de uma cultura mais lenta, de escala local, de mobilidade suave, Tiago Carvalho destacou por exemplo a "pedonalização de ruas no centro histórico ou em bairros residenciais"; o "alargamento de passeios e de percursos pedonais na cidade, a par da sua arborização e instalação de mobiliário urbano, como bancos, mesas e quiosques que promovam a permanência de pessoas nas ruas"; a "introdução de zonas 30 e medidas de acalmia de tráfego" e a "instalação de mobiliário urbano que permita o estacionamento de bicicletas em condições de segurança e de outros aprestos que promovam a flexibilidade entre as várias tipologias de transportes públicos, expandindo o alcance da bicicleta para novas áreas".

Ainda antes de terminar, o representante da FPCUB alertou para a necessidade de investir ativamente na promoção da bicicleta enquanto meio de transporte em escolas e universidades, de modo a incutir nas camadas mais jovens uma nova cultura mais voltada para a mobilidade sustentável.

O conteudo desta apresentação pode ser lido aqui.

Artur Silva (TUB)

Artur silva tub

Artur Silva, membro do Concelho de Administração da Empresa Municipal Transportes Urbanos de Braga (TUB), abordou na sua apresentação o TUBiclas, um projeto dos TUB para a integração da bicicleta no serviço dos transportes públicos da cidade de Braga. O projeto, que por falta de financiamento terá acabado por ficar na gaveta, contemplava três medidas principais: a criação de estações de parqueamento coberto para bicicletas, cujo uso seria pago, mas que estariam preparadas para guardar as bicicletas de forma segura durante períodos prolongados; a disponibilização dos meios de mobilidade (bicicletas eléctricas); e a complementaridade com os transportes colectivos, através do transporte das bicicletas a bordo dos autocarros.

Tubiclas estacionamento bicicleta

Escusado será dizer que esta intervenção prendeu a atenção de toda a plateia. Não só por ser um projeto ambicioso para a cidade de Braga que muitos desconheciam, mas sobretudo porque, apesar das suas virtudes e eventuais defeitos, o projeto TUBiclas terá sido arquivado por alegada falta de financiamento. Sentiu-se entre os presentes uma onda de descontentamento geral e houve até quem fizesse as contas de cabeça, para verificar até que ponto a autarquia dispunha ou não de meios de financiamento para um projeto daquela importância…

A apresentação de Artur Silva apontou também algumas das vantagens do uso da bicicleta como meio de transporte, descrevendo-a como "uma peça fundamental para uma Mobilidade Urbana Inteligente".

Para quem afirma que Braga nunca teve tradição do uso da bicicleta, as imagens que Artur Silva mostrou, retiradas de um filme antigo sobre a fábrica Pachancho, servirão para trar todas as dúvidas. Já nessa altura muitos trabalhadores usavam a bicicleta em Braga para se deslocarem diariamente para os seus postos de trabalho.

Outro momento alto desta apresentação foi quando surgiu na tela um mapa referente à revisão do Plano Diretor Municipal - a assistência ficou a saber que o PDM em elaboração contemplaria finalmente uma "Rede de percursos e Corredores Cicláveis - Rede de uso Quotidiano".

Tub revisao pdm rede ciclavel

Os diapositivos que foram mostrados durante a intervenção de Artur Silva podem ser consultados aqui.

Victor Domingos (Braga Ciclável)

Victor domingos braga ciclavel O Braga Ciclável esteve também representado na mesa de oradores, para falar sobretudo da Proposta para Uma Mobilidade Sustentável. Contei como nasceu a Proposta e o trabalho que foi sendo feito na sua divulgação junto dos destinatários, e apresentei algumas das medidas que temos considerado mais urgentes, como é o caso dos estacionamentos para bicicletas no centro e a criação de um eixo ciclável estruturante entre a Estação de Braga, o centro da cidade e o Campus de Gualtar.

Debate

No final destas apresentações, houve espaço para questões do público e para o debate propriamente dito. Entre a plateia, encontravam-se Carlos Almeida (PCP/CDU), Fátima Pereira (PSD/Juntos Por Braga) e Dário Silva (Cidadania em Movimento), que falaram em nome das respetivas candidaturas às próximas eleições autárquicas na cidade de Braga. Todos eles se mostraram sensibilizados para a necessidade de apostar no desenvolvimento de uma mobilidade sustentável, apostando numa conceção estratégica da cidade, no incentivo ao uso da bicicleta e no melhoramento da rede de transportes públicos.

Carlos almeida cdu braga

Também participou no debate Rui Marques, director-geral da Associação Comercial de Braga (ACB), referindo que recebe regularmente feedback dos empresários bracarenses da área da restauração, com muitos pedidos de turistas que desejam usar a bicicleta para se deslocarem dentro da cidade de Braga ou para visitarem localidades vizinhas, como Guimarães. Rui Marques não deixou de salientar que "a questão da mobilidade urbana sustentável e o eixo ciclável estão no caderno de encargos da ACB para o próximo ciclo de governação" e que "só por falta de sensibilidade política para o bem comum é que as propostas do Braga Ciclável não serão implementadas".

Rui Marques ACB

Estranhamente, não compareceu nenhum representante da candidatura do PS ou do atual executivo da Câmara Municipal de Braga. O que até foi pena, pois passada uma ou duas semanas a CMB inaugurou no centro uma interessante exposição onde dava destaque a projetos futuros que incluíam novos espaços verdes e cerca de 29km de ciclovias. A presença do Presidente ou do Vice-Presidente da Câmara, ou pelo menos do vereador do Trânsito, seria a nosso ver plenamente justificada e teria trazido um valioso contributo para o debate, que sairia enriquecido com elementos adicionais.

Ainda assim, foi ótimo constatar que a plateia esteve praticamente cheia do início ao fim do evento, que se prolongou até depois da meia-noite, demonstrando que esta é uma questão crucial que está realmente na ordem da dia em Braga. Foi também extremamente positivo verificar que todas as forças políticas estão de acordo quanto à necessidade de dotar a cidade de melhores infraestruturas para o uso da bicicleta como meio de transporte e de reforçar os transportes públicos. Podemos por isso esperar, a médio prazo, que a cidade de Braga irá reduzirá o número de automóveis a circular no seu interior, mas favorecendo simultaneamente o desenvolvimento económico e a melhoria da qualidade de vida da sua população.

domingo, 1 de setembro de 2013

A Massa Crítica está de volta a Braga (foto)

Na passada sexta-feira, voltou a realizou-se em Braga a Massa Crítica. Ainda que contando apenas com um número simbólico de participantes, é bom ver que a vontade de pedalar e contribuir para consciencializar para esta causa ainda não esmoreceu.

Massa Crítica em Braga, em agosto de 2013

No próximo mês, a Massa Crítica realiza-se no dia 27 de setembro, na antevéspera das eleições autárquicas. Vamos lá pedalar? :-)

sábado, 31 de agosto de 2013

Braga POP Hostel também apoia a Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável

Braga POP Hostel

O Braga POP Hostel decidiu juntar o seu nome à lista de instituições que já manifestaram o seu apoio público à Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, a iniciativa que o Braga Ciclável lançou há cerca de um ano em conjunto com diversas instituições da cidade de Braga.

E não resistimos a citar o testemunho da diretora do POP Hostel, também ela uma ciclista urbana no seu dia-a-dia:

Como bem sabem, o Braga POP Hostel, desde a sua abertura, em Julho de 2011, tem bicicletas para aluguer para os turistas e acreditamos, realmente, que Braga tem todas as condições para a utilização da bicicleta como meio de transporte. Pessoalmente, sou utilizadora de bicicleta na cidade, tanto em lazer como em trabalho e, desde que abri o hostel já vendi o desnecessário segundo carro, passando a usar a bicicleta para quase todas as actividades.

Apesar de Braga ser bastante plana e ter uma zona pedonal facilmente ciclável, há muito trabalho a fazer. Na minha opinião, um dos principais problemas da cidade de Braga - o divórcio cidade-Universidade do Minho - pode ter nas bicicletas (quer na melhoria das condições cicláveis, quer pela criação de um projecto de bicicletas de aluguer) uma grande ajuda.

Por isso mesmo, e depois de analisar a Proposta para uma Mobilidade Sustentável, por vocês organizada e dinamizada junto dos agentes políticos, gostaria de juntar o nome Braga POP Hostel a esta iniciativa e assim, dar mais força a uma projecto de cidadania que eu admiro (Braga Ciclável).

Já aqui o temos afirmado por diversas ocasiões - acreditamos que, para além de trazer uma melhoria significativa da qualidade de vida dos cidadãos, uma aposta forte na promoção do uso da bicicleta se poderá traduzir em ganhos significativos para o comércio e para o turismo da cidade, à semelhança do que tem vindo a suceder noutros países. É bom ver que há também da parte das nossas empresas a mesma sensibilidade em relação a este tema.

O dossiê da Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, que contempla um conjunto de sugestões para a promoção do uso da bicicleta na cidade de Braga, foi apresentado em 2012 à CMB e às diversas forças políticas da cidade. Contou desde o início com o apoio público do blog Braga Ciclável, dos Encontros Com Pedal, da Associação de Cicloturismo do Minho e do Clube de Cicloturismo de Braga, e tem vindo a receber posteriormente outros apoios de diversas instituições da cidade de Braga. Trata-se de uma iniciativa de cariz apartidário, sendo que qualquer entidade da cidade de Braga pode manifestar, se assim o entender, o seu apoio público a esta iniciativa.

A todos, agradecemos o voto de apoio. Vamos fazer de Braga uma cidade mais amiga dos ciclistas!

Quantos ciclistas somos ou podemos ser?



Foi criado por um grupo de pessoas (ciclistas e não ciclistas), um questionário simples e anónimo que pretende apurar quantos são os ciclistas urbanos, quantos são aqueles que utilizam a bicicleta apenas para desporto/lazer e quantos não usam a bicicleta, porque não o fazem e se poderiam vir a fazer.
Esta iniciativa permitirá conhecer a realidade ciclável Bracarense. Para alcançar dados mais credíveis é necessária a ajuda de todos.

Por isso, convidamos todos os leitores a responder a este questionário: http://bit.ly/bragabike
Braga precisa das vossas respostas!

Se tens facebook podes aderir ao evento criado para divulgar o questionário. Para além disto, podes seguir a tua freguesia no ranking de respostas. Convida os teus familiares, vizinhos e amigos a responder e põe a tua freguesia num lugar de destaque nas respostas.


sábado, 10 de agosto de 2013

Diz que era uma espécie de ciclovia...


Nem mesmo os motoristas profissionais, neste caso um taxista, respeitam o já bastante desgastado piso vermelho da ciclovia de Lamaçães. Estacionar automóveis, autocarros ou camiões sobre a faixa de rodagem da ciclovia é prática recorrente, até mesmo dentro das próprias rotundas, como aqui se vê. 

O referido taxista escolheu parar dentro desta rotunda, esperando pelos seus passageiros com o carro parado em cima da rotunda, quando havia estacionamento livre a poucos metros dali, e em local onde seria muito fácil inverter a marcha sem incomodar o trânsito nem infringir o Código da Estrada... 

É caso para dizer... Onde pára a Polícia (ou a GNR)?


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Câmara Municipal de Braga lança nova campanha sobre ciclovias e espaços verdes

O departamento de comunicação da Câmara Municipal de Braga acaba de lançar o seguinte vídeo sobre as obras em curso e projetos para o futuro, no que se refere a espaços verdes e vias cicláveis para a cidade de Braga.

Um dado interessante: para além da referência à requalificação do Rio Este, este vídeo fala em cerca de 29km de ciclovias, a maior parte dos quais ainda por construir mas, pelos vistos, a caminho da sua construção para breve.

A mesma mensagem aparece reforçada na exposição recentemente colocada no centro, sobre a mesma temática. Um dos expositores, cuja foto foi partilhada hoje pelo Eng. Rui Gonçalves no grupo Braga Ciclável no Facebook, fala precisamente das vias cicláveis já existentes e das que serão brevemente construídas: Expositor ciclovias cmb

Ou seja, ficamos assim a saber de projetos "desenvolvidos entre 2009 e 2013" onde se contempla uma "rede de percursos e corredores cicláveis", dividida por três tipologias:

  • Pistas Cicláveis (total: 9,44km)
    • Ao longo do Rio Este (3155,4m)
    • Ao longo da Rodovia:
      • Rotunda Santos da Cunha - Estação (836,4m)
      • Santos da Cunha - UM (4166,1m)
      • Grundig-Rotunda Santos da Cunha (1279,4m)

  • Faixas Cicláveis (total: 5,98km)
    • Cruzamento UM - Senhora a Branca (1386,4m)
    • Rotunda Continente - Senhora a Branca (2298,7m)
    • Aldeamento Quinta da Capela - Picoto (623,2m)
    • Avenida da Liberdade - Palmes (1044,9m)
    • Rio Este - Senhora a Branca (623,4m)

  • Vias partilhadas (coexistência) (total: 13,51km)
    • "rede que se desenvolve na Área central Urbana - Cidade Consolidada - Lamaçães e que complementa a rede de pistas e faixas cicláveis propostas"

Sendo esta uma comunicação oficial da própria CMB (e não uma qualquer ação de campanha eleitoral com origem num dos candidatos), será então de supor que até ao final do atual mandato estará em curso a maior parte destes projetos. Então, isto significa que ainda este ano vamos ter em Braga um total de 9,5km de ciclovias, mais 6km de ciclofaixas, mais 13,5km de vias partilhadas com sinalização adequada, etc. Não tinha conhecimento de todos estes planos da CMB para o ano corrente. Devo dizer que é um excelente começo, caso se concretize. Não só abrange a zona da Grundig à Universidade do Minho, como liga também à Estação.

Contudo, e olhando para a informação que tem circulado nos jornais, não posso deixar de questionar sobre até que ponto serão exequíveis todos estes projetos dentro do prazo ali referido (entre 2009 e 2013). Em matéria de vias cicláveis, até ao momento, creio que apenas as obras do Picoto e o do Rio Este estão em curso. Ou seja, falta começar as obras em 6,3km de pistas cicláveis, em todas as faixas cicláveis e em todas as zonas de convivência.

Quando começam essas obras? Vão ser realizadas só depois de terminar o verão, quando voltarem as chuvas? Ou ficarão apenas para depois das eleições, caso o atual executivo continue em funções? E o que acontecerá caso haja uma reviravolta nas já próximas eleições de setembro? Estes projetos agora anunciados pela Câmara Municipal de Braga serão simplesmente arquivados pelo novo executivo, ou terão ainda assim algum tipo de continuidade?

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Apostar nas Bicicletas porquê?

Para falarmos das bicicletas como transporte em Braga é preciso falar um pouco do que foi feito lá por fora.

Holanda

Nos anos 50 e 60 a Holanda testemunhou um período de crescimento do mercado automóvel. Quando chegou aos anos 70 (há cerca de 40 anos) o ambiente ciclável não era o melhor. O automóvel tinha tomado conta das cidades e começou-se a pensar em alternativas para desentupir o trânsito. Primeiro pensaram que poderiam remover edifícios e fazer alguma coisa nos seus magníficos canais, mas verificado o investimento insano que teria que ser feito preferiram não o fazer. É então que decidem controlar o tráfego automóvel e apostar na bicicleta. Os passos para encorajar o uso da bicicleta foram vários. Criaram um plano para as bicicletas, investiram muito nas infraestruturas e na rede ciclável para que as pessoas pudessem usufruir de boas condições cicláveis em todos os locais e isto demorou muitos anos e ainda pode ser melhorado!

Mas o mais importante neste processo todo foi ouvir as necessidades e os interesses dos ciclistas.

Para conseguirem pôr a circular, no mesmo espaço, carros, autocarros e veículos de duas rodas decidiram criar zonas 30 e limitar o espaço dos carros nas ruas. O que saiu daqui foi uma melhoria no tráfego pois as pessoas foram encorajadas a utilizar mais a bicicleta. Com isto ganharam melhor qualidade do ar e mais importante, a economia local começou a crescer, uma vez que mais pessoas andavam nas ruas.

Para não encontrarem muita resistência na implementação das zonas 30, eles começaram pelos bairros residenciais que se queixavam do barulho dos carros a passar em grande velocidade.




Na Holanda não há apenas ciclovias e ciclofaixas. Há autoestradas para bicicletas a unir cidades!

Este é o modelo que usaram para ligar Utrecht às cidades vizinhas - as autoestradas para bicicletas



Nas cidades há parques de estacionamento com dois e três andares, há parques subterrâneos, vigiados, iluminados, seguros e há, claro, muitos muitos muitos parques exteriores - Sheffield principalmente.



No Reino Unido há uma alternativa que poderá servir de modelo a algumas ruas de braga, os bollard park. E claro, há muitas zonas 30 e muitas vias reservadas para os ciclistas. Eles distinguem assim as vias que não são asfaltadas:



do lado esquerdo a via para automóvel e do lado direito a de ciclistas separada com tijolos verticais.


Nova Iorque

Mas claro, a Holanda é a mãe das bicicletas. Falemos então de Nova Iorque (NY) que tem construído linhas para bicicleta protegidas - ciclovias - e que nos últimos meses aumentou a sua rede de ciclovias e vias cicláveis. Tudo o que tenha a ver com bicicletas em NY tem gerado muita controvérsia. Os Americanos têm por costume criar estatísticas e estudar todos os comportamentos e o uso da bicicleta e o seu impacto económico não é exceção. Ora a média de vendas de toda a Manhattan subiu 3%, já a venda em lojas locais, entre a 23rd e a 31st streets - ruas cicláveis e com vias dedicadas para ciclistas-, subiu 49%. O Departamento de Transportes de NY não consegue explicar esta subida em zonas cicláveis, no entanto o Portland Study pode servir para explicar isto. Este estudo diz que um utilizador da bicicleta como meio de transporte consome menos do que um utilizador de automóvel, no entanto consome mais vezes o que leva a, no total, consumir mais. Pode ainda ser consultado o Oregon Study que nos fala um pouco sobre os cicloturistas e o impacto que poderá ter no turismo (no último ano os cicloturistas gastaram, segundo este estudo, qualquer coisa como 301 Milhões de Euros por ano ou 904 000 € por dia).

Podia ainda falar de Copenhaga – cidade onde neva 3 meses por anos - que já aposta há muito nas bicicletas, tem a avenida onde circulam mais bicicletas e é a segunda cidade no Copenhagenize Index.



Podia ainda falar do Abu Dhabi - cidade de muito calor -, capital riquíssima dos Emirados Árabes Unidos, onde o gasóleo está a uns cêntimos, um carro de luxo custa 20 000 €, e a aposta na bicicleta como meio de transporte é cada vez mais forte. Eles já perceberam que não podem depender eternamente do petróleo e apostar apenas nesse mercado.


Braga

Já introduzi o assunto e falei em grande parte sobre ciclo-economia. Claro que esta não é a única vantagem, mas é a vantagem que faz com que se aposte na bicicleta. Para além da vantagem para a economia citadina, há a vantagem para a economia familiar (uma vez que se gasta menos em gasóleo, menos em revisões - porque o carro demora mais a fazer os km's necessários -, menos em pneus e menos em ginásios), há vantagem para o ambiente, porque a bicicleta não polui, há benefícios para a saúde - aumenta a força e a tonificação dos músculos, faz bem ao coração, mantém a linha, aumenta a longevidade, melhora a saúde mental e o sistema imunitário.

Agora falemos da nossa Braga, onde, como diz o Eng. Baptista da Costa, não neva 3 meses por ano (como em Copenhaga) e não faz tanto calor como no Adu Dhabi. (De lembrar também que nem Braga nem Portugal possuem poços de onde é extraído petróleo e que neste momento Portugal é dependente de combustíveis fósseis.)

Braga não está, de todo, pronta para o ciclista urbano. Braga tem uma ciclovia que liga o Hotel Lamaçães à Falperra, que não serve as escolas nem a zona histórica. A ciclovia de Lamaçães é perigosa para qualquer ciclista que lá ande. Primeiro ninguém percebe aquele separador alto amarelo e pontiagudo do lado da ciclovia, mas arranjadinho do lado dos automóveis. Se alguém bate com o patim da bicicleta naquele lancil e cai, vai ficar em mau estado. Depois o desenho da ciclovia na zona de estacionamento automóvel está errado, deveríamos ter:

Via Automóvel - Estacionamento - Separador - Ciclovia – Passeio

e temos:

Via Automóvel - Ciclovia - Estacionamento - Passeio
Já para não falar nas rotundas que já por si só são perigosas, com os carros estacionados na ciclovia nas rotundas ainda mais perigosas ficam!

Depois temos o combate entre ciclovia e passeio. A ciclovia tem um piso melhor do que o passeio, junto às passadeiras tem rampas e, apesar do seu mau estado em algumas zonas, está melhor que o passeio, logo, as pessoas preferem usar a mesma para passear ou correr. E se passam lá de bicicleta podem ter que enfrentar uma manada de peões que pensa que a faixa vermelha é deles e não se desvia.

Em setembro vamos ter a ciclovia do rio Este, que liga as antigas bombas da Shell, agora Repsol, à ponte pedrinha. Desta falarei apenas quando estiver pronta e a tiver usado, mas poderá ser um eixo importante se bem complementado e receber manutenção.

Para além destas, há um projeto para criar uma ciclovia na 31 de Janeiro, mas no passeio. Não penso que seja a solução. As ciclovias e as vias cicláveis nunca devem retirar espaço aos peões, mas devem sim ocupar um pouco do espaço do automóvel, isto porque as cidades são dos peões!

A minha proposta para a 31 de Janeiro é esta:



Substituindo a faixa mais à esquerda (que no início da avenida é estacionamento) por duas vias cicláveis, uma ascendente e uma descendente, separadas fisicamente dos automóveis com algum tipo de adorno ou pilarete.

Aqui há uns tempos começamos a trabalhar num mapa que mostrava as verdadeiras necessidades dos ciclistas urbanos. Com as fotos do Victor Domingos (Braga Ciclável) começamos a construir um mapa. Depois recolhemos mais fotos, de mais fotógrafos, pontos de interesse dos ciclistas, descobrimos estacionamentos que já existiam e pedimos a alguns ciclistas urbanos que nos enviassem as suas rotas enquanto utilizadores da bicicleta como meio de transporte. Com a sobreposição de rotas a mesma ia escurecendo. Ou seja, as linhas mais carregadas são as rotas mais utilizadas. As vias a vermelho são as ciclovias existentes. Como podemos observar, as ciclovias não servem os ciclistas que usam a bicicleta como meio de transporte.



Sobre os estacionamentos existentes há que, em primeiro lugar, agradecer ao Victor Domingos (Braga Ciclável), ao Antony Gonçalves e ao Rómulo Duque (Encontros com Pedal), que juntos elaboraram uma proposta que apresentaram à Câmara Municipal de Braga em que um dos pontos era exatamente a falta de estacionamentos com condições de segurança e tipologia adequada em Braga. Com o levantamento feito para o mapa descobrimos que por cá só existiam estacionamentos do tipo Wheel Bender (conhecidos como "estraga rodas").



Com a proposta, e com a abertura da CMB (a quem dou os parabéns porque tem ouvido e feito intervenções com base na opinião dos ciclistas) já foram instalados estacionamentos do tipo sheffield em sete locais (os azuis) e está prevista a instalação de mais sete localizações nesta fase e do tipo Sheffield. Mas Braga tem ruas muito estreitas para terem um sheffield, e muitas ruas protegidas e nas quais não se podem instalar estas estruturas. Para essas situações a solução é algo deste tipo:



A minha opinião é que os estacionamentos por si só não chegam. Juntamente com os estacionamentos deveriam:
  • colocar sinalização a permitir a circulação da bicicleta em toda a área pedonal, mas limitando a velocidade da mesma a, por exemplo, 15 km/h nesta área e, claro, dando prioridade aos peões.
  • Criar iniciativas nas escolas básicas e secundárias que promovam o uso da bicicleta e ensinem o uso da mesma.
  • Criar sensibilização junto a ciclistas e condutores para a bicicleta (há erros de parte a parte na condução, mas um ciclista e um peão são mais frágeis que um automóvel).
  • Criar zonas 30 junto a escolas, áreas residenciais e outras áreas que se justifique.
  • Criar ciclovias junto a vias em que a circulação automóvel seja feita a uma velocidade mais elevada (por exemplo: Rodovia, Avenida da Liberdade, 31 de Janeiro, Av. Padre Júlio Fragata).




Quanto à Rede de percursos e Corredores Cicláveis - Rede de uso Quotidiano, presente na Revisão do PDM, quase que me agrada na totalidade. O único senão é terem deixado a área pedonal de fora desta rede. Um ciclista vai sempre optar por passar na Rua do Souto e na Avenida Central na parte pedonal por ser mais seguro, por ser mais direto e porque o piso é melhor. Para além disto tudo porque a bicicleta é um transporte porta a porta, logo todo o conceito de vias e estacionamentos é diferente da dos automóveis.

Com isto, penso que Braga poderia ser um exemplo no que diz respeito à mobilidade ciclável e facilmente se ultrapassaria o medo de andar de bicicleta e a vergonha que alguns cidadãos sentem. Cada vez mais as pessoas começam a retirar a bicicleta da garagem e circular na mesma. Cada vez menos a bicicleta é vista como um transporte de pobre e é vista como um meio de transporte sustentável que pode ser usada por qualquer pessoa.

Falta saber quantos somos na realidade e, mais importante que isso, quantos podemos vir a ser e quantas bicicletas existem nas casas dos bracarenses. Um estudo que seria certamente muito interessante.

Aproveito ainda para sugerir a quem pretende começar a usar a bicicleta como meio de transporte em Braga uma iniciativa da MUBi: o Bike Buddy e a todos os lojistas, empresas e instituições de Braga a apreciação dos requisitos (através do formulário existente no site) para possuírem o selo da Mubi, que brevemente estará disponível em Braga.

Se ainda não experimentaram usar a bicicleta como meio de locomoção experimentem e boas pedaladas.

Referências



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Aprovado novo Código da Estrada, que protege mais os peões e ciclistas

O passado dia 24 de julho de 2013 foi um dia histórico para Portugal. Após décadas de discussões públicas sobre os erros da nossa legislação rodoviária, depois de milhares de mortos e feridos nas nossas estradas, que culminariam em janeiro deste ano com a Manifestação Nacional "Basta de Atropelamentos", foi finalmente aprovado na Assembleia da República o novo Código da Estrada, que vem proteger peões e ciclistas de uma forma nunca antes vista no nosso país.

Como em todas as leis, será possível encontrar alguns pontos fracos e ambiguidades que não seriam desejáveis, mas mesmo assim, esta revisão destaca-se por um notável avanço em matéria de proteção de peões e ciclistas, aproximando-se do que já há vários anos se pratica pela Europa fora. Novas regras de prioridade e ultrapassagem, possibilidade de ciclistas circularem a par, introdução do importante conceito de "zona de coexistência" e o fim da obrigatoriedade de as bicicletas circularem pelas ciclovias, são apenas alguns exemplos. A MUBi sintetiza assim, na sua página, alguns dos principais destaques do novo CE:

  • Acaba com a discriminação dos velocípedes na regra geral da cedência de passagem: tem prioridade quem se apresenta pela direita num cruzamento não sinalizado, seja um veículo a motor ou um velocípede;
  • Obriga o condutor a assegurar uma distância mínima lateral de 1,5 m do ciclista e a abrandar a velocidade durante a sua ultrapassagem;
  • Reforça que é obrigação do condutor de cada veículo assegurar-se que o seu comportamento não põe em risco a segurança dos peões e condutores de velocípedes, bem como de outros utilizadores vulneráveis;
  • Elimina a obrigatoriedade dos velocípedes circularem nas ciclovias, permitindo ao utilizador de bicicleta optar por circular juntamente com o restante trânsito quando não considere a alternativa em ciclovia vantajosa em termos de segurança, conforto ou competitividade;
  • Introduz a permissão de dois velocípedes circularem lado a lado numa via;
  • Permite a circulação de velocípedes em corredores BUS, quando tal for autorizado pelas câmaras municipais;
  • Equipara as passagens para velocípedes às passagens para peões, tendo agora os condutores dos outros veículos que ceder passagem aos condutores de velocípedes, nos atravessamentos em ciclovia;
  • Prevê e permite o transporte de passageiros em atrelados;
  • Prevê zonas de coexistência, em que os utilizadores vulneráveis podem utilizar toda a largura da via pública e realizar jogos, não sendo permitido o estacionamento nessas zonas;
  • Permite (não obriga) a circulação no passeio por condutores de velocípedes até aos 10 anos de idade.

Portanto, há mais do que bons motivos para celebrar!

Agora falta colocar estas leis em prática, o que vai ser outra luta. É preciso apostar na formação em segurança rodoviária nas escolas (no Reino Unido, essa aprendizagem começa aos 3 anos de idade) e na formação e sensibilização de condutores, a que não é alheio o papel das escolas de condução, das autoridades de fiscalização de trânsito e da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Todos os setores da sociedade podem dar o seu contributo, desde as escolas, às juntas de freguesia e câmaras municipais, desde o Ministério da Educação às associações de pais ou de ciclistas. Vamos a isto?

Podem saber mais detalhes consultando as notícias e comunicados publicados nos sites da European Cyclists' Federation, da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta e da da MUBi - Associação para a Mobilidade Urbana em Bicicleta.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

FPCUB entrega recomendações às candidaturas autárquicas para uma Mobilidade Ciclável

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) apresentou há dias um documento com um conjunto de recomendações para uma Mobilidade Ciclável às candidaturas autárquicas de 2013. Essas recomendações foram hoje enviadas para as várias candidaturas de Braga.

O documento em questão, que pode ser consultado nesta página, pretende ser, segundo a FPCUB, "uma base para a elaboração dos programas autárquicos das várias forças políticas no que respeita à mobilidade ciclável, lançando várias medidas que poderão ser tomadas para o aumento e melhoria da Mobilidade Ciclável nos municípios".

Agora, resta-nos aguardar pela publicação dos programas eleitorais e pela resposta oficial de cada uma das candidaturas, em reslação a este desafio da FPCUB, e também em relação a este outro lançado pelos ciclistas de Braga.