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domingo, 13 de maio de 2012

Cruzamentos seguros em ruas com ciclovias - uma solução adotada na Holanda

Em Portugal, ainda estamos a aprender como havemos de integrar no trânsito as bicicletas (ou "velocípedes", como gosta de lhes chamar o legislador). Uma das principais dificuldades são os cruzamentos de ruas ou avenidas que incluem ciclovias.

Se os cruzamentos (ou as rotundas, que ultimamente estão bastante na moda em Portugal) não forem bem desenhados, existe o risco de atropelamento dos ciclistas por parte de outros veículos. A solução encontrada na Holanda é bem engenhosa e, apesar de tudo, bastante simples. Como não ocupa mais espaço do que um cruzamento tradicional, esta solução pode ser facilmente implementada na maior parte dos casos, com baixo custo e apenas pequenas alterações.

Vejamos como funciona (vídeo em inglês, mas com legendas em Português).

sábado, 12 de maio de 2012

Zona de acidentes na Avenida Antero de Quental, junto ao Braga Parque

Há uns meses, quando decidi escrever uma carta aberta à autarquia, era a isto que me referia. Com a quantidade absurda de acidentes que já se deram neste e nos outros cruzamentos da Avenida Antero de Quental, já vai sendo tempo de a Câmara Municipal de Braga fazer qualquer coisa em relação a esse assunto.

Sem querer retirar a devida responsabilidade aos condutores que circulam nestes cruzamentos da Av. Antero de Quental, a minha opinião é de que grande parte destes acidentes seriam perfeitamente evitáveis se não existissem aquelas duas filas de estacionamento junto ao separador central. A verdade é que nestes cruzamentos os carros estacionados retiram a visibilidade necessária aos veículos que circulam na via.

Como está bom de ver (até pelas setas antigas que ainda se encontram marcadas no asfalto dentro de alguns lugares de estacionamento), estes estacionamentos centrais não haviam sido originalmente projetados aquando da criação desta zona comercial e residencial. Inicialmente havia duas faixas de trânsito em cada um dos sentidos, mais uma fila de estacionamento de cada lado, junto aos passeios. Caso para dizer que foi pior a emenda do que o soneto...

Puxando a brasa à sardinha, diria que há ali espaço mais do que suficiente para criar uma ciclovia entre o Braga Retail Center e o Braga Parque e - porque não? - ligando à zona de Gualtar pela Rua Nova de Sta. Cruz e Rua Quinta da Armada. Bastaria voltar eliminar aquelas duas filas de estacionamento em excesso e reorganizar o espaço e a sinalização.

E, por falar em estacionamento, era boa ideia haver estacionamento para bicicletas no Retail Center e no Braga Parque, mas isso é uma outra conversa…

Ciclistas Urbanos em Braga #65

Ciclistas Urbanos em Braga

Meik Schuetz é engenheiro de software e vem quase todos os dias de Fraião para o seu local de trabalho, na zona da Rua Cidade do Porto. Tal como muitos ciclistas, sempre que pode, tenta evitar o trânsito, em cujas velocidades excessivas (e ultrapassagens perigosas, também) não confia. Sempre que pode vai de bicicleta, em primeiro lugar porque é uma viagem mais agradável e, no fim de um dia de trabalho, pode aproveitar para ir ainda passear por trilhos nas redondezas da cidade.

Para além do trânsito extremamente acelerado em certas ruas e avenidas de Braga, refere a inexistência de ciclovias e Braga como um dos problemas. Quanto à única ciclovia que temos, diz que prefere nem a usar, para não correr certos perigos. Também considera urgente a instalação de estacionamentos para bicicletas, cuja falta sente, por exemplo, sempre que vem às compras.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O espaço que é necessário para transportar 60 pessoas

Espaço necessário para transportar 60 pessoas - carro, autocarro, bicicleta

Esta imagem, que tem corrido mundo, ilustra de forma bastante expressiva as implicações dos diferentes meios de transporte na ocupação do espaço urbano e, consequentemente, na qualidade de vida dos cidadãos. Não será, pois, por acaso que este mesmo tríptico surge afixado nos gabinetes de planeamento de trânsito de certas cidades europeias (e não, não estou a falar da Holanda nem da Dinamarca)...

Quase nem seria necessário tecer comentários, uma vez que as fotos acima se explicam por si. O que vemos é nem mais nem menos que o aspeto com que fica uma rua ou avenida quando 60 pessoas decidem circular em diferentes meios de transporte. O que nestas fotos se revela evidente é que a utilização do automóvel acarreta uma ocupação do espaço urbano que poderíamos considerar excessiva, quando comparada com o autocarro ou a bicicleta.

Daqui podemos facilmente tirar algumas ilações sobre o tipo de cidade que queremos construir para o futuro, para nós e para os nossos filhos.

Quando 60 pessoas (ou 600, ou 6000…) decidem sair de casa para trabalhar, para ir para a escola, ou para ir às compras, por exemplo, mesmo sem se aperceberem estão já contribuir para moldar um certo tipo de ambiente urbano nas ruas por onde passam. O meio de transporte que escolhem usar em cada deslocação marca a diferença.

Por outro lado, também quem tem o poder de decisão em matéria de ordenamento urbano e gestão de trânsito tem a responsabilidade de promover o uso responsável do automóvel, dos transportes públicos e (porque não?) da bicicleta. Essa promoção pode passar por muitas e variadas medidas, umas mais do agrado da mentalidade vigente, outras nem tanto. Mas o que é preciso é ter visão: uma visão de futuro, uma visão global, que não se limite ao benefício imediato nem às flutuações próprias da vida política.

– Se alguém hoje lhe perguntasse em qual dos três cenários acima preferia viver, qual deles escolheria, e porquê?

Ciclistas Urbanos em Braga #64

Ciclistas Urbanos em Braga

O Diogo, de S. Pedro de Este, arranjou uma bicicleta emprestada para vir trabalhar no centro. Conta-nos que tirou carta de condução há pouco tempo e tem aproveitado para desfrutar da novidade, mas nem por isso deixa de usar a bicicleta de vez em quando…

domingo, 6 de maio de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #62 e #63 (e ainda um passageiro)

Ciclistas Urbanos em Braga

Esta simpática família irlandesa - o Shane, a Aideen e a sua filha Alexa - escolheram a bicicleta como meio de transporte para passearem descontraidamente pela cidade de Braga.

sábado, 5 de maio de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #61

Ciclistas Urbanos em Braga

O sr. Manuel Sampaio, que muito reconhecerão como o bem-disposto anfitrião da Taberna SVBVRA, aproveita para descontrair um pouco ao fim do dia e levar a passear a sua cadela Sura pelo centro. De bicicleta é ainda mais agradável!...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #60

Ciclistas Urbanos em Braga

O Albert vem da Austrália e é cientista. Trabalha atualmente como investigador no Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), na área da Química, e usa a bicicleta diariamente para ir para o emprego, na zona de Gualtar, bem como para todas as suas outras deslocações na cidade. É um meio de transporte rápido, económico, ecológico e prático.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #59

Ciclistas Urbanos em Braga

O Gabriel conta-nos que, há algum tempo atrás, já chegou a usar bicicleta para ir para escola. Atualmente tende a usar sobretudo os transportes públicos, mas continua a usar regularmente a bicicleta para passear e praticar desporto, ou para fazer algumas compras, por exemplo.

Gostava de ter melhores ciclovias em Braga e sonha com a criação de um vasto Parque da Cidade na zona das Sete Fontes.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #57 e #58

Ciclistas Urbanos em Braga

O Habib Nurusman e o Supriyono Suwito, dois jovens muito simpáticos e bem-dispostos, vêm da Indonésia e estudam na Universidade do Minho. Usam diariamente a bicicleta para irem para a universidade e para todo o tipo de deslocações na cidade de Braga. À falta de estacionamentos adequados, veem-se obrigados a recorrer aos candeeiros para improvisadamente prender as bicicletas da forma possível…

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #55 e #56

Ciclistas Urbanos em Braga

O escritor e fotógrafo Rómulo Duque gosta de fazer as suas reportagens em Braga de bicicleta. Muitos ciclistas certamente o reconhecerão como o fotógrafo dos Encontros com Pedal. Para a Teresa, sua esposa, a bicicleta tem sido sobretudo uma companheira de passeio e de exercício físico. Ambos apontam a falta de estacionamentos adequados para bicicletas como uma das grandes lacunas da cidade de Braga.

Respondendo ao comentário de um leitor, sobre ciclovias em Braga...

Um destes dias, num dos artigos da série "Ciclistas Urbanos em Braga", tivemos um interessante comentário do nosso leitor Miguel Lobo. O seu testemunho, pela pertinência do tema que aborda, merece ser aqui destacado e deveria inclusivamente ser objeto de reflexão por parte de quem decide em matéria de planeamento urbano, ordenamento de trânsito e obras públicas.

Viva,

Parabens por este blog, só agora me apercebi dele e vou estar atento porque tambem vivo em Braga.

Tambem eu sinto falta de uma rede de vias para bicicleta em Braga. Seria quase um sonho se um dia isso viesse a surgir. Braga tem uma ciclovia, é certo, mas, para além de pequena partilha o mesmo espaço que uma estrada em que os automobilista teimam em fazer parecer uma autoestrada. Andei uma vez nela com a minha esposa e filha e não volto mais, é um perigo. Aliás, andar na estrada de bicicleta em Braga para mim foi traumático. Já fui abalroado por uma carrinha e o tipo teve o descaramento de me dizer que eu é que devia ter cuidado e depois ainda vieram os GNR's de bigode ajudar à festa. Enfim, foi a primeira e certamente uma má experiencia, agora quando quero andar de bicicleta meto tudo no carro e vou para ciclovias seguras.

Mesmo assim sonho com um dia poder circular em segurança em Braga. Boa sorte com o Blog, faz falta este tipo de atitude para criar um certo movimento e quem sabe um lobbie.

Cumprimentos
Miguel Lobo


Olá, Miguel!

Obrigado pelo testemunho e pelo incentivo. Estamos a tentar contribuir para a sensibilização da população e dos responsáveis pelo urbanismo, para ver se as coisas melhoram um pouco cá em Braga.

Cada dia que qualquer um destes ciclistas - entre os quais me incluo - sai à rua na sua bicicleta (seja para passear, para tomar um copo com os amigos, para ir às compras ou ir para o emprego), está a contribuir ativamente para mudar mentalidades. À medida que mais ciclistas vão circulando nas ruas - e o número está mesmo a aumentar - passará a haver uma adaptação dos comportamentos dos automobilistas, mais não seja, porque passam a contar com a presença de ciclistas na via. Claro que há ainda muitos receios, alguns deles justificados, outros nem tanto, mas com algum esforço de adaptação, é possível e relativamente simples pedalar. A zona da periferia (incluindo essa ciclovia) coloca alguns desafios aos ciclistas, mas em compensação no centro da cidade conseguimos circular com relativa facilidade.

Quanto à nossa única e polémica ciclovia (ver foto abaixo, retirada de um artigo no blog Avenida Central), que supostamente serviria para a prática de desporto e ciclismo de lazer, tem realmente vários defeitos graves. O primeiro deles, na minha opinião, é o facto de se encontrar numa localização periférica, com um percurso que não a torna muito útil a quem deseja utilizar a bicicleta como meio de transporte para o emprego, para a escola ou para a universidade.

Ciclovia em Braga

Além disso, tem também alguns problemas de conceção que a tornam insegura não só para o ciclismo desportivo mas também para o ciclismo de lazer. Por exemplo, além de ser estreita e não permitir a ultrapassagem entre ciclistas, a ciclovia encontra-se agrupada com o passeio, ao longo de praticamente todo o seu traçado, sem qualquer tipo de separação, sendo frequente o seu uso por parte de peões, animais de estimação, carrinhos de bebés… Em alguns pontos do percurso, temos constantemente carros estacionados em cima da ciclovia, interrompendo a passagem dos ciclistas e obrigando-os a seguir ilegalmente por uma das faixas reservadas a veículos motorizados. Mas não é só. Em alguns pontos, há estacionamento automóvel na berma, pelo que os carros precisam de ocupar a ciclovia para entrar e sair do estacionamento (escusado será dizer que qualquer carro que vá a sair em marcha-atrás tem pouca ou nenhuma visibilidade para verificar se na ciclovia vem algum ciclista na sua direção). Isso, a juntar às numerosas rotundas que interrompem a viagem mas não oferecem qualquer proteção aos utentes da ciclovia, faz com que esta continue a ser uma das obras mais polémicas alguma vez realizadas em Braga.

É por estes e outros motivos que há neste momento um movimento de cidadãos de Braga a tentar fazer chegar uma mensagem aos responsáveis da autarquia - de que os ciclistas existem em Braga e que é preciso melhorar as condições de circulação e estacionamento, não só para os ciclistas que já andam nas nossas ruas, mas também para aqueles que gostavam de o poder fazer, mas ainda não se sentem seguros.

Gosto de ser otimista, e acredito que as coisas irão melhorar. O número de ciclistas aumenta de dia para dia, não só em passeios de fim de semana, mas também nas deslocações diárias para o emprego, no centro da cidade e nas zonas periféricas. Basta passar algumas horas na Avenida Central ou na Rua D. Pedro V, para o comprovar. Com o poder de compra a baixar e os custos dos combustíveis a aumentar, cada vez mais pessoas acabarão por tomar a decisão de perder o medo e a vergonha e passarão a usar a bicicleta em vez do carro. Aos poucos, esta nova realidade tornar-se-á cada vez mais difícil de ignorar por quem quer que esteja à frente dos órgãos autárquicos competentes…