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domingo, 25 de março de 2012

Sobre a necessidade de ciclovias

Sempre que se fala de promoção do uso da bicicleta na cidade, discute-se a necessidade de ciclovias. Não sou nenhum perito em urbanismo ou em ordenamento de trânsito mas, enquanto cidadão e utente das ruas e da bicicleta, tenho algumas humildes opiniões sobre o assunto. Acrescente-se a isto que a minha experiência e as minhas sugestões mais específicas referem-se quase sempre à cidade de Braga, onde resido atualmente e onde vou votar em todas as eleições (leram bem isto, senhores governantes?).

As ciclovias, se forem bem pensadas e bem implementadas no contexto de uma rede de vias cicláveis (ou seja, o conjunto dos diferentes tipos de vias onde circularão as bicicletas na cidade e arredores), podem ser uma peça importante na criação de condições para uma maior utilização da bicicleta nesta cidade.

Devem ligar de forma lógica e integrada, e bidirecionalmente, todos os pontos principais da cidade, incluindo as estações terminais de transportes públicos, zonas e centros comerciais, polos empresariais ou industriais, zonas habitacionais, áreas de lazer e de desporto, escolas e universidades.

Na conceção de vias cicláveis segregadas (ciclovias, ciclofaixas…), deve evitar-se alguns erros infelizmente muito comuns. Por exemplo: roubar espaço aos peões para criar ciclovias, manter zonas de perigo junto à faixa de rodagem reservada a ciclistas (como lugares de estacionamento sem separador nem distância de segurança) ou permitir ou facilitar a circulação de peões ou de veículos motorizados. Outro erro comum que deve ser evitado é a atribuição de uma largura insuficiente, que impede o cruzamento (nas vias de dois sentidos) ou a ultrapassagem por outros ciclistas, em condições de segurança. É particularmente delicada nestas infraestruturas a intersecção entre vias, pelo que deve ser dada a devida atenção à cuidadosa planificação de entroncamentos, cruzamentos e rotundas. Mau exemplo de como se implementa uma ciclovia, no Porto

Não creio que todas as vias cicláveis tenham de ser necessariamente ciclovias, mas em alguns casos essa é a melhor opção. O importante é que a cidade seja repensada globalmente em função da desejada mobilidade sustentável e seja criada uma rede de vias cicláveis - um mapa da cidade que possa ser proposto aos cidadãos que já usam ou que desejam começar a utilizar de forma regular a bicicleta como meio de transporte.

Mas há mais medidas que fazem falta... Por exemplo:

  • Estacionamentos para bicicletas em quantidade adequada, em locais próprios e com um design funcional (são de evitar os modelos do tipo "dobra-rodas", sendo recomendáveis os estacionamentos em "U invertido")
  • Criação de corredores Bici+Bus (ou eventualmente, Bici+Bus+Moto) em ruas que atualmente têm sentido único apenas para transportes públicos. Um exemplo paradigmático é a Rua D. Pedro V, onde esta medida deveria ser acompanhada, na minha opinião, por uma fiscalização mais assídua do estacionamento ilegal e eventual redução das áreas reservadas a estacionamento automóvel.
  • Promoção da intermodalidade(p.ex., comboio + Bicicleta), assegurando as condições necessárias ao transporte de bicicletas nos comboios entre Braga e outras cidades, e divulgando amplamente essa opção económica e ecológica junto dos estudantes universitários e dos trabalhadores que fazem diariamente essa viagem.
  • Acalmia de tráfego, isto é, a redução da velocidade máxima em certas vias, e a devida fiscalização. Ainda há dias, na vizinha Espanha, vi agentes da autoridade a fiscalizarem uma "zona 30" com radar de segurança. Aqui além de praticamente ainda não existirem zonas 30, pura e simplesmente não existe fiscalização e quase ninguém cumpre os limites de velocidade dentro das localidades.
  • Criação de mais zonas amplas para os cidadãos: retirar espaço aos carros e devolvê-lo prioritariamente a peões, regulando devidamente o seu uso por parte de veículos. Em algumas cidades, existem ruas em que as crianças podem brincar em segurança: os carros e demais veículos são obrigados a respeitar os peões reduzindo a velocidade e dando-lhes sempre prioridade. Em Barcelona, as bicicletas podem usar determinados passeios, mas reduzindo a sua velocidade máxima para 15km/h para evitar acidentes com peões.

Seria interessante e muito útil que algum académico realizasse um estudo com rigor científico, no que se refere à questão da mobilidade sustentável em Braga. Talvez algo do género do que fez o Eng. Paulo Guerra Dos Santos na cidade de Lisboa. Uma análise sistematizada das vantagens de cada meio de transporte, e mesmo da intermodalidade, em diferentes cenários; dos obstáculos atualmente existentes a uma mobilidade mais sustentável e promotora de uma maior qualidade de vida para os cidadãos; e ainda das soluções mais indicadas, numa lógica de conjunto, para esta cidade.

Será que já algum dia alguém da Universidade do Minho elaborou alguma tese sobre estes assuntos?

sábado, 24 de março de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #10

Ciclistas Urbanos em Braga

O Joaquim, de Gualtar, usa a bicicleta entre outras coisas como uma forma agradável de praticar exercício e combater o colesterol. Até gostava de ir para o trabalho de bicicleta (na zona da antiga Grundig), se não fosse o receio de enfrentar o trânsito. Diz que se a cidade tivesse melhores condições certamente iria muitas vezes de bicicleta para o trabalho.

Nota:

Tenho vindo a notar que há muitos bracarenses que gostavam de usar a bicicleta para algo mais do que apenas o exercício físico prescrito pelo médico ou o passeio dominical. Entre os principais obstáculos encontra-se o trânsito e, de certa forma, a ausência de ciclovias.

Quanto ao primeiro, e boa parte dos casos, daria para resolver promovendo e fiscalizando medidas de acalmia do trânsito - dito de outra forma, reduzindo a velocidade de circulação dentro da cidade.

Quanto às ciclovias, diria que não são solução para tudo, mas que poderão ser particularmente úteis nos casos em que o trajeto dos ciclistas coincida com vias de grande movimento automóvel, com velocidades mais elevadas. Sobretudo quando há subidas à mistura.

No caso em análise, já ouvi dizer que a CMB terá prevista uma ciclovia ou ecovia junto ao Rio Este, que poderia vir a beneficiar os ciclistas que precisam de se deslocar da zona Este da cidade para a zona da Grundig, Ferreiros, Celeirós, etc. Vamos ver.

Para quem está a dar as primeiras pedaladas e tem medo de se aventurar no trânsito, eu recomendaria começar por vias menos movimentadas e progressivamente ir adaptando os percursos à medida que se ganha experiência e confiança. O trânsito em Braga tem as suas dificuldades, mas até nem é assim tão mau, quando comparado com outras cidades portuguesas…

Ciclistas Urbanos em Braga #9

Ciclistas Urbanos em Braga

O Pedro, estudante de Ensino de Filosofia, vai da Universidade do Minho (Gualtar) até à zona da Sé. Para tal, costuma seguir pela Rua Nova de Santa Cruz e depois pela Rua D. Pedro V.

Nota:

O trajeto acima descrito é um dos acessos mais importantes para ciclistas entre o campus de Gualtar e o centro da cidade, e é também uma das principais vias de ligação à estação de comboios. Diariamente, há um conjunto considerável de ciclistas que percorrem essas ruas em ambos os sentidos. É fácil de perceber porquê: apesar de não haver uma forma fácil de atravessar a Avenida Padre Júlio Fragata de bicicleta, é o caminho mais direto e praticamente não tem subidas. Além disso, estas ruas têm pouco trânsito, que geralmente circula a velocidades moderadas.

No entanto, é necessário - no mínimo - colocar sinalização vertical e horizontal que alerte os condutores para presença habitual de ciclistas em ambos os sentidos (parte deste trajeto inclui trechos de sentido reservado a transportes públicos, mas que poderia perfeitamente vir a permitir também a circulação de ciclistas). Faltam, pois, nestas ruas, condições para que os ciclistas possam circular em mais segurança e, já agora, em legalidade.

Ciclistas Urbanos em Braga #8

Ciclistas Urbanos em Braga

O Nuno usa a bicicleta para se deslocar, por exemplo, entre a zona de Gualtar e o centro da cidade. Diz que, na sua opinião, muitos automobilistas ainda não são muito cordiais com os ciclistas, o que dificulta a circulação em algumas vias.


Nota:

Eu, enquanto ciclista, tenho tido uma experiência mista na minha relação com o trânsito. Se, por um lado, os motoristas dos TUB têm sido impecáveis, mantendo distâncias laterais de segurança ao ultrapassar e nunca fazendo "cara feia" quando nos cruzamos numa rua mais estreita, por outro lado nem sempre o mesmo acontece com os automobilistas (incluindo, infelizmente, alguns taxistas).

Em parte, isso deve-se ao facto de os automobilistas ainda estarem pouco familiarizados com a presença de velocípedes a circular na via - algo que irá melhorando à medida que o número de ciclistas for aumentando nas ruas.

Por outro lado, é importante mencionar que em Braga há vias em que a circulação automóvel é feita a velocidades de autoestrada e que, além disso, é ainda praticamente inexistente a sinalização relacionada com a circulação de bicicletas. Seria útil, por exemplo, criar faixas BUS + BICI (à semelhança do que vem sendo implementado com sucesso noutras cidades) devidamente sinalizadas. Na minha opinião, a Rua D. Pedro V, que vemos retratada na foto acima, é um exemplo paradigmático dessa necessidade, já que é utilizada diariamente por muitos ciclistas como via principal de acesso ao centro e à Estação.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #7

Ciclistas Urbanos em Braga A Isa, de S. Mamede, gosta de passear em Braga na sua Gazelle clássica e cheia de estilo. Pela sua boa disposição, dá para ver que adora mesmo este meio de transporte! Queixa-se um pouco, ainda assim, do piso irregular (das obras e das ruas em paralelo) e também dos carros, que muitas vezes não facilitam a vida aos ciclistas...

Ciclistas Urbanos em Braga #6

Ciclistas Urbanos em Braga

O António Martins não dispensa a companhia da sua fiel Órbita, nas suas deslocações pela cidade de Braga.

Ciclistas Urbanos em Braga #5

Ciclistas Urbanos em Braga

Para o Adelino, de Lamaçães, a melhor forma de vir à Avenida Central e de tratar de todos os seus assuntos ou, simplesmente, passear na cidade é a pedalar. Usa a bicicleta para as deslocações mais triviais do dia-a-dia e considera que este meio de transporte tem a vantagem de rápido na cidade, muito económico e bem agradável. No entanto, aponta como uma das maiores dificuldades a falta de estacionamentos adequados para bicicletas, mesmo em locais tão importantes como a Loja do Cidadão ou a Avenida Central.

Também gosta de usar bicicleta para passear com a filha, mas sente a falta de ciclovias que tornem essa atividade segura para as crianças.


Nota:

A única ciclovia existente atualmente em Braga, apesar de a sua localização parecer indicar que está mais voltada para o ciclismo de lazer, tem vários problemas de execução que a tornam praticamente imprópria até para esse tipo de utilização.

Tenho conversado com vários ciclistas que frequentemente se veem em situações delicadas nas várias rotundas que interrompem sucessivamente essa ciclovia, bem como nas zonas onde há estacionamento automóvel junto a ela: por um lado, devido à constante entrada e saída de veículos, atravessando a ciclovia; e por outro lado, até mesmo pelo grande número de veículos estacionados em cima da própria ciclovia (nunca vi nenhuma operação de fiscalização por parte das autoridades). Além disso, a ciclovia é frequentemente utilizada por muitos peões que a confundem com um passeio e por isso a usam nas suas caminhadas.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #4

Ciclistas Urbanos em Braga

O Aníbal atravessa o centro de Braga todas os dias para ir trabalhar. Por não haver estacionamento para bicicletas junto à Universidade do Minho (Largo do Paço), viu-se obrigado a comprar uma bicicleta dobrável. Já lá vão 6 meses desde que começou a usar a bicicleta diariamente, e a sua boa disposição diz tudo - a bicicleta é mesmo o melhor meio de transporte para se deslocar na cidade, faça chuva ou faça sol.

Ciclistas Urbanos em Braga #3

Ciclistas Urbanos em Braga

O Paulo (eu sei que tenho fraca memória para nomes, mas espero não ter trocado este!…) faz aquela famosa subida de Real e desloca-se até ao centro de Braga de bicicleta, para tratar dos seus diversos afazeres. Para ele, a bicicleta é um meio de transporte com muitas vantagens práticas, a maior parte das quais muitos bracarenses parecem infelizmente ainda não ter descoberto.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #2

Ciclistas Urbanos em Braga

Com um sorriso nos lábios e a sua bela bicicleta com uma suspensão de "meter respeito", depois de uma manhã de trabalho, o José António atravessa a cidade descontraidamente para ir almoçar.

terça-feira, 20 de março de 2012

Transporte de bicicletas no Elevador do Bom Jesus

Elevador do Bom Jesus

Li um destes dias a história recente de um grupo de jovens turistas da Malásia que, estando em Braga, decidiram ir passear de bicicleta até ao Bom Jesus. Imagino que tenha sido uma aventura, a julgar sobretudo pela subida um tanto ou quanto acentuada no percurso de ida.

…e dei por mim a pensar que, sendo o santuário do Bom Jesus uma das principais atrações turísticas da cidade de Braga, faria sentido dotá-lo de melhores acessos para quem escolhe visitar esta cidade de bicicleta. Uma possibilidade a considerar - talvez a mais importante de todas - seria o Elevador do Bom Jesus ser melhorado de modo a poder transportar algumas bicicletas. Esse tipo de infraestruturas têm sido aproveitadas noutras cidades portuguesas e estrangeiras para facilitar aos ciclistas o acesso a zonas de cota mais elevada.

No caso de Braga, que já vai tendo regularmente turistas a chegarem de bicicleta ou a alugarem bicicletas para passear pela cidade e arredores, faria todo o sentido aproveitar este elevador para oferecer ao público uma experiência ainda mais agradável. Elevador do Bom Jesus - Entrada

À falta do desejado transporte para bicicletas no Elevador do Bom Jesus, a Câmara Municipal de Braga poderia ao menos mandar instalar junto à entrada do Elevador alguns lugares de estacionamento seguro para bicicletas, para que os nossos cicloturistas pudessem subir um pouco mais descansados…

Ciclistas Urbanos em Braga #1

Esta rubrica é, assumidamente, um decalque da excelente iniciativa que tem sido levada a cabo pelo Sérgio Moura no seu blog De Bicicleta no Porto. Há cerca de um ano, começou a fotografar os ciclistas com quem se cruzava na rua. Numa cidade onde se pensaria que quase não haveria bicicletas, o Sérgio já conseguiu colocar em pose para a sua máquina fotográfica quase uma centena de ciclistas.

Partindo do mesmo princípio de que quem mais faz pela causa do uso da bicicleta são todas as pessoas que a usam no seu dia a dia, decidi copiar transpor o projeto para a cidade de Braga (penso que o Sérgio me perdoará o "plágio" desta sua ideia). Assim, nos próximos tempos, vou também tentar ganhar coragem para ir metendo conversa com alguns dos ciclistas com quem me cruzo, e trazer para aqui algumas fotos.

A inaugurar este espaço, temos duas figuras incontornáveis e inconfundíveis da cidade de Braga: a Sé de Braga e o Antony. A primeira, dispensa apresentações. Do Antony, que muitos bracarenses reconhecerão sobretudo pela sua indumentária Cycle Chic, bastaria lembrar que tem sido um dos impulsionadores dos Encontros com Pedal. Músico e atleta, gosta de se considerar um "provocador" - no bom sentido, claro está...

Ciclistas urbanos em Braga