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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Uma ciclovia ao longo de toda a Avenida 31 de janeiro

Há algum tempo atrás, trouxemos aqui à baila a ideia de que faria sentido construir uma ciclovia ao longo da Avenida da Liberdade. Um leitor atento dedicou algum do seu tempo a comentar a ideia, partilhando também a sua experiência e a sua opinião sobre este assunto.

 

Boa noite!

Primeiramente quero dar os parabéns pela iniciativa. E partilhar a minha experiência como ciclista pelas ruas de Braga.

Também sou um dos cidadãos desta cidade que por um conjunto de situações (económicos, e porque algumas viagens a cidades europeias me abriram os horizontes) decidiu começar a fazer deslocações maiores de bicicleta.

Por norma já fazia circuitos pequenos a pé, e apenas utilizava o carro caso tivesse apertado em tempo. E neste momento sinto-me conquistado a este tipo de transporte e só aponto três problemas para andar de bicicleta em Braga:

  • claro que a 1º queixa será dirigida às vias, têm de ser alteradas, e realmente penso que seria importante reformular a Avenida da Liberdade, mas penso que seria mais fácil alterar a 31 de Janeiro, pela própria disposição da avenida, tem duas vias bastante largas de peões, e porque nesta via circulam menos peões do que na avenida da liberdade, o que ajudaria na "aceitação" dos pedestres destas alterações, além disso esta avenida tem nas suas proximidades 4 escolas, e ajudaria a fomentar a utilização a utilização da bicicleta desde tenra idade (em vez de os pais irem levar os filhos à escola); e também por razões que escuso enumerar seria importante ter uma ciclovia que ligasse a Universidade do Minho até ao centro histórico e à estação de comboio.
  • outra situação que me deparo, e já há um post sobre isso, no centro da cidade (sem falar de outros pontos de interesse, perto de edifícios públicos ou de saúde) não existem locais para guardar a bicicleta, o que me leva a prende-la a candeeiros públicos, o que eu sinto como sendo abusivo da minha parte, e torna-se bastante inestético.
  • as pessoas em Braga ainda criticam os ciclistas (a não ser que estes estejam com um equipamento desportivo, porque num contexto de lazer/desporto nunca me senti julgado), o que me leva a pensar que antes de mudar infraestruturas convém mudar mentalidades (urgentemente).
Cumprimentos, e espero que mais pessoas adiram a este blog, e se juntem por uma causa comum que beneficiará todos.

 

Confesso que, quando escrevi o artigo acerca da Av. da Liberdade, ainda pensei em incluir um ou dois parágrafos sobre a 31 de janeiro. Mas, para evitar alongar-me demasiado, acabei por optar por deixar para outra altura. É chegada a hora!

Evidentemente, concordo com o João no essencial: para além dos estacionamentos para bicicletas (que é urgente criar!), uma ciclovia na Av. 31 de janeiro faz todo o sentido e talvez seja até mais fácil de implementar do que na Av. da Liberdade. O acesso seguro às escolas e universidades em bicicleta deve ser uma das prioridades.

Em primeiro lugar, cumpre salientar que a Av. 31 de janeiro é já utilizada diariamente por muitos ciclistas como uma das principais vias de acesso ao centro. Dado que o eixo Rua Nova de Sta. Cruz - Rua D. Pedro V (importante para quem vinha de Gualtar e freguesias adjacentes) se encontra interrompido a meio pela Av. Padre Júlio Fragata, a forma mais direta de vir para o centro a partir de Gualtar passou a ser pela João XXI e pela 31 de janeiro. Infelizmente, a velocidade do trânsito motorizado nessas vias e a disposição das várias faixas de rodagem desencorajam a maior parte dos ciclistas de circular normalmente. Muitos ciclistas circulam assim pelos passeios, numa situação que, mesmo sendo compreensível, não é nada desejável.

A pensar neste assunto, decidi percorrer de bicicleta toda a extensão da Av. 31 de janeiro, mas começando um pouco mais abaixo, na Av. Porfírio da Silva.

A ser criada esta ciclovia, julgo que seria boa ideia prolongá-la até ao final da Av. Porfirio da Silva, que é no fundo a continuação, em linha reta, da Avenida 31 de janeiro.

Avenida Porfírio da Silva

Ora, onde eu coloco algumas reservas é quanto à eventualidade de se retirar espaço aos passeios para instalar a ciclovia. A dificuldade em fazê-lo advém, em parte, da existência de um grande número de árvores (que conferem, afinal de contas, o aspeto aprazível que tem esta via). Em vários locais, o espaço disponível nos atuais passeios é insuficiente para a criação de uma pista ciclável partilhada com peões e com separador, com as medidas internacionalmente recomendadas. Ou seja, corremos o risco de deixar de ter um passeio usado "abusivamente" por ciclistas, para passarmos a ter mais uma ciclovia usada abusivamente por peões…

Avenida Porfírio da Silva

Uma solução alternativa, e quiçá preferível, passaria por manter as árvores e os passeios, e optar antes por redistribuir o espaço das diversas faixas de rodagem, criando pistas cicláveis para ambos os sentidos de circulação. Seria importante acautelar, obviamente, a separação física sempre que o sentido de circulação dos ciclistas fosse contrário ao do restante trânsito. Seria também de importância crucial a implementação de cruzamentos seguros, talvez seguindo este exemplo que já há dias aqui apontamos.

Porque, se repararmos bem, as diferentes faixas da 31 de janeiro acabam por ter diferentes fluxos de veículos, como se pode ver nesta foto, tirada de manhã, com o semáforo vermelho na Senhora-a-Branca.

Avenida 31 de janeiro

Reorganizando o espaço da avenida, poderíamos por exemplo eliminar esta faixa da direita e criar corredores de circulação para ciclistas. Junto ao semáforo, poderia haver uma Bike Box, ou outra solução parecida, para permitir aos ciclistas passarem em segurança para o lado esquerdo, para seguir para a Av. Central, Rua do Raio, etc. Os semáforos deveriam incluir luzes específicas para ciclistas, indicando por exemplo que poderiam virar à esquerda enquanto os carros das outras faixas estivessem com sinal vermelho.

A grande vantagem desta abordagem, claro, seria manter os atuais passeios, com a suas esplanadas e os seus quiosques, e continuar a promovê-los cada vez mais como espaço de circulação e de convívio para todos…

Avenida 31 de janeiro

domingo, 27 de maio de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #72

Ciclistas Urbanos em Braga

O Henrique usa ocasionalmente a bicicleta, mas gostava de ter melhores condições em Braga. Na breve conversa que tivemos, referiu ter tido conhecimento, pela comunicação social, de planos para a disponibilização de bicicletas partilhadas na nossa cidade e mostrou-se curioso quanto ao avanço desse projeto.

 

Notas:

Seria, sem dúvida, excelente ter em Braga uma boa rede de bicicletas partilhadas, que ligasse os principais pontos da cidade, incluindo os serviços públicos, áreas comerciais, universidades, etc. Mas, infelizmente, seja por culpa da temida crise ou, como outros arriscam acusar, por falta de vontade ou coragem política, a verdade é que o projeto das BUTE morreu há muito e o outro projeto, das bicicletas elétricas, parece ter tido destino parecido.

Numa pesquisa pela Internet acerca deste tema, é possível encontrar alguns relatos da época (há cerca de três ou quatro anos), mas aparentemente, nenhum desenvolvimento posterior:

Pessoalmente, e ainda que reconheça as enormes vantagens da implementação de um sistema de bicicletas partilhadas, como os de Barcelona, Londres, Paris ou Aveiro, penso que mais urgente ainda é a criação de uma rede viária ciclável na cidade de Braga. Com ou sem ciclovias, o mais importante é disponibilizar uma rede viária útil, a ligar os principais pontos da cidade de forma tão direta quanto possível, e em condições de segurança para quem se desloca de bicicleta. E estacionamentos para bicicletas nos locais em que são necessários.

Trata-se de um tipo de medidas que não requerem necessariamente um grande investimento financeiro, mas cujas vantagens seriam certamente aproveitadas por todos, ciclistas e não só.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cidadãos pela mobilidade sustentável dirigem-se à Câmara Municipal de Braga

Câmara Municipal de Braga

Um grupo de cidadãos de Braga, numa iniciativa conjunta do blog Braga Ciclável com os Encontros com Pedal, e que conta com o apoio de outras instituições da cidade, solicitou anteontem formalmente uma audiência com a Câmara Municipal de Braga.

Nessa reunião, cuja data ainda não está confirmada, será apresentada à autarquia uma proposta relacionada com a promoção da mobilidade sustentável, enquanto contributo para a melhoria da qualidade de vida dos bracarenses.

A seu tempo, iremos aqui dando notícia do avanço desta iniciativa, pelo que sugerimos a consulta regular deste espaço a quantos se interessem por esta temática.

domingo, 13 de maio de 2012

Cruzamentos seguros em ruas com ciclovias - uma solução adotada na Holanda

Em Portugal, ainda estamos a aprender como havemos de integrar no trânsito as bicicletas (ou "velocípedes", como gosta de lhes chamar o legislador). Uma das principais dificuldades são os cruzamentos de ruas ou avenidas que incluem ciclovias.

Se os cruzamentos (ou as rotundas, que ultimamente estão bastante na moda em Portugal) não forem bem desenhados, existe o risco de atropelamento dos ciclistas por parte de outros veículos. A solução encontrada na Holanda é bem engenhosa e, apesar de tudo, bastante simples. Como não ocupa mais espaço do que um cruzamento tradicional, esta solução pode ser facilmente implementada na maior parte dos casos, com baixo custo e apenas pequenas alterações.

Vejamos como funciona (vídeo em inglês, mas com legendas em Português).

sábado, 12 de maio de 2012

Zona de acidentes na Avenida Antero de Quental, junto ao Braga Parque

Há uns meses, quando decidi escrever uma carta aberta à autarquia, era a isto que me referia. Com a quantidade absurda de acidentes que já se deram neste e nos outros cruzamentos da Avenida Antero de Quental, já vai sendo tempo de a Câmara Municipal de Braga fazer qualquer coisa em relação a esse assunto.

Sem querer retirar a devida responsabilidade aos condutores que circulam nestes cruzamentos da Av. Antero de Quental, a minha opinião é de que grande parte destes acidentes seriam perfeitamente evitáveis se não existissem aquelas duas filas de estacionamento junto ao separador central. A verdade é que nestes cruzamentos os carros estacionados retiram a visibilidade necessária aos veículos que circulam na via.

Como está bom de ver (até pelas setas antigas que ainda se encontram marcadas no asfalto dentro de alguns lugares de estacionamento), estes estacionamentos centrais não haviam sido originalmente projetados aquando da criação desta zona comercial e residencial. Inicialmente havia duas faixas de trânsito em cada um dos sentidos, mais uma fila de estacionamento de cada lado, junto aos passeios. Caso para dizer que foi pior a emenda do que o soneto...

Puxando a brasa à sardinha, diria que há ali espaço mais do que suficiente para criar uma ciclovia entre o Braga Retail Center e o Braga Parque e - porque não? - ligando à zona de Gualtar pela Rua Nova de Sta. Cruz e Rua Quinta da Armada. Bastaria voltar eliminar aquelas duas filas de estacionamento em excesso e reorganizar o espaço e a sinalização.

E, por falar em estacionamento, era boa ideia haver estacionamento para bicicletas no Retail Center e no Braga Parque, mas isso é uma outra conversa…

Ciclistas Urbanos em Braga #65

Ciclistas Urbanos em Braga

Meik Schuetz é engenheiro de software e vem quase todos os dias de Fraião para o seu local de trabalho, na zona da Rua Cidade do Porto. Tal como muitos ciclistas, sempre que pode, tenta evitar o trânsito, em cujas velocidades excessivas (e ultrapassagens perigosas, também) não confia. Sempre que pode vai de bicicleta, em primeiro lugar porque é uma viagem mais agradável e, no fim de um dia de trabalho, pode aproveitar para ir ainda passear por trilhos nas redondezas da cidade.

Para além do trânsito extremamente acelerado em certas ruas e avenidas de Braga, refere a inexistência de ciclovias e Braga como um dos problemas. Quanto à única ciclovia que temos, diz que prefere nem a usar, para não correr certos perigos. Também considera urgente a instalação de estacionamentos para bicicletas, cuja falta sente, por exemplo, sempre que vem às compras.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #59

Ciclistas Urbanos em Braga

O Gabriel conta-nos que, há algum tempo atrás, já chegou a usar bicicleta para ir para escola. Atualmente tende a usar sobretudo os transportes públicos, mas continua a usar regularmente a bicicleta para passear e praticar desporto, ou para fazer algumas compras, por exemplo.

Gostava de ter melhores ciclovias em Braga e sonha com a criação de um vasto Parque da Cidade na zona das Sete Fontes.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Respondendo ao comentário de um leitor, sobre ciclovias em Braga...

Um destes dias, num dos artigos da série "Ciclistas Urbanos em Braga", tivemos um interessante comentário do nosso leitor Miguel Lobo. O seu testemunho, pela pertinência do tema que aborda, merece ser aqui destacado e deveria inclusivamente ser objeto de reflexão por parte de quem decide em matéria de planeamento urbano, ordenamento de trânsito e obras públicas.

Viva,

Parabens por este blog, só agora me apercebi dele e vou estar atento porque tambem vivo em Braga.

Tambem eu sinto falta de uma rede de vias para bicicleta em Braga. Seria quase um sonho se um dia isso viesse a surgir. Braga tem uma ciclovia, é certo, mas, para além de pequena partilha o mesmo espaço que uma estrada em que os automobilista teimam em fazer parecer uma autoestrada. Andei uma vez nela com a minha esposa e filha e não volto mais, é um perigo. Aliás, andar na estrada de bicicleta em Braga para mim foi traumático. Já fui abalroado por uma carrinha e o tipo teve o descaramento de me dizer que eu é que devia ter cuidado e depois ainda vieram os GNR's de bigode ajudar à festa. Enfim, foi a primeira e certamente uma má experiencia, agora quando quero andar de bicicleta meto tudo no carro e vou para ciclovias seguras.

Mesmo assim sonho com um dia poder circular em segurança em Braga. Boa sorte com o Blog, faz falta este tipo de atitude para criar um certo movimento e quem sabe um lobbie.

Cumprimentos
Miguel Lobo


Olá, Miguel!

Obrigado pelo testemunho e pelo incentivo. Estamos a tentar contribuir para a sensibilização da população e dos responsáveis pelo urbanismo, para ver se as coisas melhoram um pouco cá em Braga.

Cada dia que qualquer um destes ciclistas - entre os quais me incluo - sai à rua na sua bicicleta (seja para passear, para tomar um copo com os amigos, para ir às compras ou ir para o emprego), está a contribuir ativamente para mudar mentalidades. À medida que mais ciclistas vão circulando nas ruas - e o número está mesmo a aumentar - passará a haver uma adaptação dos comportamentos dos automobilistas, mais não seja, porque passam a contar com a presença de ciclistas na via. Claro que há ainda muitos receios, alguns deles justificados, outros nem tanto, mas com algum esforço de adaptação, é possível e relativamente simples pedalar. A zona da periferia (incluindo essa ciclovia) coloca alguns desafios aos ciclistas, mas em compensação no centro da cidade conseguimos circular com relativa facilidade.

Quanto à nossa única e polémica ciclovia (ver foto abaixo, retirada de um artigo no blog Avenida Central), que supostamente serviria para a prática de desporto e ciclismo de lazer, tem realmente vários defeitos graves. O primeiro deles, na minha opinião, é o facto de se encontrar numa localização periférica, com um percurso que não a torna muito útil a quem deseja utilizar a bicicleta como meio de transporte para o emprego, para a escola ou para a universidade.

Ciclovia em Braga

Além disso, tem também alguns problemas de conceção que a tornam insegura não só para o ciclismo desportivo mas também para o ciclismo de lazer. Por exemplo, além de ser estreita e não permitir a ultrapassagem entre ciclistas, a ciclovia encontra-se agrupada com o passeio, ao longo de praticamente todo o seu traçado, sem qualquer tipo de separação, sendo frequente o seu uso por parte de peões, animais de estimação, carrinhos de bebés… Em alguns pontos do percurso, temos constantemente carros estacionados em cima da ciclovia, interrompendo a passagem dos ciclistas e obrigando-os a seguir ilegalmente por uma das faixas reservadas a veículos motorizados. Mas não é só. Em alguns pontos, há estacionamento automóvel na berma, pelo que os carros precisam de ocupar a ciclovia para entrar e sair do estacionamento (escusado será dizer que qualquer carro que vá a sair em marcha-atrás tem pouca ou nenhuma visibilidade para verificar se na ciclovia vem algum ciclista na sua direção). Isso, a juntar às numerosas rotundas que interrompem a viagem mas não oferecem qualquer proteção aos utentes da ciclovia, faz com que esta continue a ser uma das obras mais polémicas alguma vez realizadas em Braga.

É por estes e outros motivos que há neste momento um movimento de cidadãos de Braga a tentar fazer chegar uma mensagem aos responsáveis da autarquia - de que os ciclistas existem em Braga e que é preciso melhorar as condições de circulação e estacionamento, não só para os ciclistas que já andam nas nossas ruas, mas também para aqueles que gostavam de o poder fazer, mas ainda não se sentem seguros.

Gosto de ser otimista, e acredito que as coisas irão melhorar. O número de ciclistas aumenta de dia para dia, não só em passeios de fim de semana, mas também nas deslocações diárias para o emprego, no centro da cidade e nas zonas periféricas. Basta passar algumas horas na Avenida Central ou na Rua D. Pedro V, para o comprovar. Com o poder de compra a baixar e os custos dos combustíveis a aumentar, cada vez mais pessoas acabarão por tomar a decisão de perder o medo e a vergonha e passarão a usar a bicicleta em vez do carro. Aos poucos, esta nova realidade tornar-se-á cada vez mais difícil de ignorar por quem quer que esteja à frente dos órgãos autárquicos competentes…

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #47

Ciclistas Urbanos em Braga

O sr. Johannes, da Áustria, escolheu Braga e o Minho para passar alguns meses em Portugal. Nota-se, na sua expressão e na maneira como fala, um certo carinho especial por Portugal e até mesmo pela Língua Portuguesa. Gosta de passear de bicicleta, mas conta-nos que há em Braga muitas ruas e estradas onde tem mede de se aventurar por causa do trânsito. Na sua opinião, os portugueses conduzem muito depressa e fazem frequentemente ultrapassagens muito perigosas aos ciclistas, mesmo nas ruas estreitas. Meio a brincar, diz que desde que está em Portugal tem sentido muito mais a necessidade de usar o capacete quando anda de bicicleta.

Ao longo da sua estadia, tem tido a oportunidade de conhecer algumas das vilas e cidades do Minho. Como ainda não há ciclovias a ligar essas localidades, tem optado por levar a bicicleta de autocarro, embora infelizmente nem sempre isso seja permitido pelos motoristas.

Diz sentir falta de uma rede de ciclovias, como aquelas a que estava acostumado no seu país de origem. Estranha que haja nesta cidade tantas ruas ocupadas com uma ou duas filas de estacionamento automóvel, mas sem que tenham uma faixa reservada para ciclistas ou alguns lugares de estacionamento para bicicletas.

Nota:

Correndo o risco de repetir-me, diria que é frequentemente uma experiência reveladora conversar com quem já teve a experiência de viver noutras terras. Aprendemos muito sobre nós próprios ao perceber como os outros nos veem.

Quando falo com turistas estrangeiros como o Johannes, estudantes de Erasmus como a Janina ou ex-emigrantes como o Antony ou a Edite, não posso deixar de reparar em como o nosso país e as nossas cidades parecem ainda viver demasiado em função do automóvel, quando lá fora outros países supostamente mais ricos, supostamente mais desenvolvidos e supostamente com melhor qualidade de vida, apostam sobretudo na mobilidade sustentável, no uso da bicicleta, na redução do tráfego automóvel nos centros urbanos e na implementação de medidas de acalmia de trânsito.

Não gosto de negativismos, até porque temos um país fantástico, com muitos encantos e um clima que faz inveja a quase toda a Europa, mas… temos tanto por fazer!…

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #45

Ciclistas Urbanos em Braga

A Janina, que veio da Alemanha para estudar numa das nossas universidades, usa a bicicleta para se deslocar por Braga e acha que esta cidade parece mesmo feita para andar de bicicleta - sem inclinações, com um ótimo clima, etc.. Estranha, contudo, o facto de não haver vias para ciclistas nem estacionamentos adequados para bicicletas.

Na curta conversa que tivemos, perguntou-me, curiosamente, se havia alguma ciclovia a ligar Braga às cidades mais próximas, como o Porto ou Guimarães. Seria excelente ter ciclovias de boa qualidade a ligar Braga a localidades como Vila Verde, Póvoa de Lanhoso, Barcelos, Famalicão, Porto, Guimarães, minimizando na medida do possível os declives e sem o desnecessário desconforto do trânsito automóvel. Os turistas (e também muitos trabalhadores de todas essas localidades) certamente apreciariam essas vias, que contribuiriam afinal para um uso mais alargado da bicicleta.

É, pois, sem dúvida, uma excelente questão, embora a resposta seja ainda um simples e triste "não"...

domingo, 22 de abril de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #44

Ciclistas Urbanos em Braga

O sr. José Moura, trabalha na zona do antigo estádio municipal e vai todos os dias de bicicleta para o emprego. A bicicleta é o seu meio transporte para todo o lado dentro da cidade. Na sua opinião, uma das vantagens é que pedalar só faz bem à saúde e à forma física.

Nota:

Tal como dizíamos há dias, há alguns bons motivos para justificar a importância de uma ciclovia ao longo da Avenida da Liberdade. Para além dos acessos ao Parque de Exposições e ao Parque da Ponte, não podemos esquecer o complexo desportivo do Estádio 1º de Maio e o Pavilhão Flávio Sá Leite, onde treinam e jogam crianças, jovens e adultos, mas que também são usados frequentemente também para outras atividades. Para quem vem dessa zona, ou mesmo das freguesias de Priscos ou Esporões, o acesso ao centro de Braga é frequentemente feito por essa avenida.

Outra questão igualmente importante é a dos estacionamentos para bicicletas, que adquirem particular importância junto ao Parque de Exposições e ao Estádio, devido ao grande número de pessoas que lá se dirigem diariamente, mas também no próprio Parque da Ponte. Talvez já existam alguns, mas por lapso esqueci-me de perguntar...

sábado, 21 de abril de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #43

Ciclistas Urbanos em Braga

O Paulo mora na zona do Braga Parque e usa a bicicleta no seu dia a dia para todo o tipo de deslocações na cidade, em trabalho e em lazer.


Nota:

Esta zona da cidade, para além de acolher um movimentado centro comercial, é também uma zona residencial importante. Dali partem já diariamente vários ciclistas em direção aos seus locais de trabalho, no centro, e não só.

As vias de acesso ao centro da cidade são evidentemente cruciais para quem mora nesta parte da cidade. Para quem vai de bicicleta, contudo, há alguns obstáculos que certamente desencorajam os ciclistas menos experientes e que poderão colocar em risco os mais aventureiros.

Uma das principais vias de acesso ao centro é a Rua D. Pedro V, de que já temos aqui falado algumas vezes (aqui, aqui, aqui, ou aqui). No entanto, para chegarem até essa rua, os ciclistas que partem da zona do Braga Parque têm de percorrer primeiro a Avenida Padre Júlio Fragata, bem conhecida pelo seu trânsito acelerado e pelos ocasionais acidentes. Não será pois de estranhar que alguns ciclistas prefiram seguir pelo passeio, uma solução de desenrasque que, para além de ser ilegal, tem outros inconvenientes (piso escorregadio quando chove, interrupções ao longo do caminho, cruzamento com peões...).

Esta importante zona comercial e residencial, bem como o Campus de Gualtar e as suas áreas residenciais adjacentes, justificam plenamente a pertinência de uma via ciclável bem planeada, a ligar Gualtar diretamente ao centro da cidade e à Estação. Sobretudo se pensarmos que também ali se encontra o novo Hospital (e sim, também já conversei com pessoas que lá se deslocaram de bicicleta, apesar daquelas subidas a pique) e que a cidade tenderá a crescer para esses lados nos próximos tempos.

Ciclistas Urbanos em Braga #42

Ciclistas Urbanos em Braga

O Vítor Oliveira é músico. Vem da freguesia de Real e usa a bicicleta diariamente para se deslocar para o trabalho e não só. O seu piano seria certamente difícil de carregar numa bicicleta, mas muitas vezes (tal como na data em que tirámos esta foto) traz consigo o seu segundo instrumento, um saxofone.

Lamenta que em Braga as pessoas ainda não adiram muito a este meio de transporte, bem mais comum noutras grandes cidades europeias, e também que não haja por cá vias mais bem preparadas para acolher os ciclistas.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #32

Ciclistas Urbanos em Braga

A Ana e a Edite (filha e mãe, respetivamente) gostam de andar de bicicleta, mas lamentam a falta de condições na cidade de Braga. Por exemplo, ir de bicicleta para a escola, sem ciclovias nem ruas devidamente sinalizadas e adaptadas para ciclistas, parece-lhes mais complicado do que em países como a França, onde essa é uma prática habitual. Ainda assim, a mãe refere que costuma usar a bicicleta para efetuar as suas deslocações pelo centro, incluindo, ocasionalmente, na ida para o trabalho.

Nota:

Até o momento, tenho optado por incluir nesta rubrica apenas fotos de ciclistas adultos, em parte para reforçar a ideia de que o ciclismo urbano, para além das vertentes lúdica e desportiva, é sobretudo uma modalidade de transporte útil, para os cidadãos de qualquer idade. Decidi abrir aqui esta exceção, que me parece útil na medida em que permite demonstrar que também existe um público juvenil que usa a bicicleta em Braga, seja para ir para a escola, seja para se divertir.

Basta parar alguns momentos na Avenida Central ou nos semáforos da Senhora-a-Branca, para perceber que boa parte dos ciclistas desta cidade são crianças e adolescentes. Infelizmente, em Braga, ir para a escola de bicicleta é ainda uma atividade que muitos considerarão arriscada e desaconselhável. No entanto, quando vemos o que se passa em países como a França, a Holanda, a Alemanha ou a Bélgica, logo percebemos que temos ainda um longo caminho a percorrer, no sentido de tornar as nossas cidades em locais seguros, onde é realmente bom viver...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Uma ciclovia ao longo de toda a Avenida da Liberdade

Ciclovia na Avenida da Liberdade

Para tornar a cidade de Braga mais ciclável, isto é, mais convidativa à utilização diária da bicicleta por parte de todas as faixas etárias e todos os grupos sociais, é preciso (e urgente) criar condições adequadas de circulação num conjunto de percursos-chave. Para além do fundamental eixo Estação-Centro-Gualtar, há outros percursos que pela sua utilidade prática na vida dos cidadãos de Braga adquirem particular relevância. Um desses percursos é a ligação entre o Centro (Avenida Central) e a zona do Parque de Exposições e Parque da Ponte, a ser feita, de forma lógica, pela Avenida da Liberdade.

A pertinência deste percurso seria de imediato justificada tão somente pela necessidade de acesso ao Parque da Ponte, tanto para lazer como, por exemplo, para que os bracarenses pudessem levar a sua marmita e ir almoçar rapidamente nesse local bem aprazível - uma alternativa económica, saudável e agradável. Mas também o acesso ao Parque de Exposições e às zonas comerciais e residenciais que se encontram naquela área contribuem para tornar essa via bem importante.

O que encontramos na atualidade é a gritante inexistência de um percurso ciclável a ligar estas duas zonas da cidade. A Avenida da Liberdade é a ligação mais direta e, uma vez que apresenta um baixo desnível, seria a via de ligação mais lógica para os ciclistas. Infelizmente, parte do percurso encontra-se ocupada por uma área ajardinada com esplanadas laterais, cuja disposição, apesar de ser bastante agradável para passear a pé, não facilita a circulação de bicicletas. Os ciclistas precisam de fazer um constante ziguezague entre os peões, num confronto que é de todo indesejável.

No troço inferior da Avenida, quando termina a área ajardinada, temos o fim do túnel e uma zona com várias faixas de trânsito e semáforos. Trata-se de uma via um tanto ou quanto difícil para ciclistas, que ficam demasiado expostos quando precisam de mudar de faixa para a esquerda (por exemplo, para seguir para o Carandá ou para Santa Tecla).

Este é um daqueles casos em que poderíamos defender, justamente, a necessidade de uma ciclovia bidirecional ao longo de toda a extensão da Avenida da Liberdade. Imagino que uma das primeiras reações seria "Mas não há espaço!…" Pois bem… em primeiro lugar, convém notar que existem várias faixas de trânsito na parte inferior da Avenida, que certamente poderiam ser reorganizadas de modo a acomodar uma faixa reservada a ciclistas. Na área ajardinada, bastaria um alterar um pouco a forma dos canteiros, de modo a acolher uma área de circulação devidamente sinalizada.

Ah… e, ainda que roubar espaço aos peões seja quase sempre péssima ideia… Se há lugar para estacionar de forma impune esta quantidade de automóveis no passeio, então não haveria espaço suficiente para, em vez disso, instalar alguns lugares de estacionamento de bicicletas e, quem sabe, uma ciclovia…?

Ciclovia na Avenida da Liberdade

A terminar, para quem possa ainda ter dúvidas… Não, estes passeios não são ciclovias e, ainda que a sua largura permita o convívio mais ou menos pacífico entre ciclistas e um pequeno número de peões, o piso é totalmente inadequado à circulação de bicicletas, tornando-se muito escorregadio quando chove.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #27

Ciclistas Urbanos em Braga

O Carlos Ferreira é um jovem empreendedor, que acredita no potencial da bicicleta para melhorar a qualidade de vida na cidade de Braga. Há algum tempo atrás, decidiu criar uma empresa de aluguer de bicicletas, que vem sendo uma excelente mais-valia para a cidade, sobretudo na área do turismo.

Nota:

O passeio que vemos nesta foto é um dos atalhos habitualmente usados pelos ciclistas que chegam à Avenida Central vindos da Av. 31 de Janeiro ou da Rua D. Pedro V.

Para além do sempre indesejável confronto com os peões, é de referir que este tipo de piso é demasiado escorregadio quando chove. Seria, pois, importante encontrar uma solução mais segura e eficaz para fazer a ligação, para ciclistas, entre as várias vias que se cruzam no Largo da Senhora-a-Branca.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #12

Ciclistas Urbanos em Braga

O sr. Afonso escolheu uma bicicleta elétrica "para ajudar nas subidas". Conta-nos que também usa moto ou carro, mas que dentro da cidade, ao tratar de todos os seus recados e da burocracia a que obriga o seu trabalho, o melhor meio de transporte é mesmo a bicicleta.

Para ele, contudo, as condições de circulação para ciclistas na cidade de Braga estão longe de ser as ideais. Recorda com saudade algumas das suas viagens pela Europa, onde pode descobrir redes extensas de ciclovias integradas nas cidades e algumas cidades com estacionamento abundante para ciclistas. Algo que espera vir a poder ter também cá em Braga.

domingo, 25 de março de 2012

Sobre a necessidade de ciclovias

Sempre que se fala de promoção do uso da bicicleta na cidade, discute-se a necessidade de ciclovias. Não sou nenhum perito em urbanismo ou em ordenamento de trânsito mas, enquanto cidadão e utente das ruas e da bicicleta, tenho algumas humildes opiniões sobre o assunto. Acrescente-se a isto que a minha experiência e as minhas sugestões mais específicas referem-se quase sempre à cidade de Braga, onde resido atualmente e onde vou votar em todas as eleições (leram bem isto, senhores governantes?).

As ciclovias, se forem bem pensadas e bem implementadas no contexto de uma rede de vias cicláveis (ou seja, o conjunto dos diferentes tipos de vias onde circularão as bicicletas na cidade e arredores), podem ser uma peça importante na criação de condições para uma maior utilização da bicicleta nesta cidade.

Devem ligar de forma lógica e integrada, e bidirecionalmente, todos os pontos principais da cidade, incluindo as estações terminais de transportes públicos, zonas e centros comerciais, polos empresariais ou industriais, zonas habitacionais, áreas de lazer e de desporto, escolas e universidades.

Na conceção de vias cicláveis segregadas (ciclovias, ciclofaixas…), deve evitar-se alguns erros infelizmente muito comuns. Por exemplo: roubar espaço aos peões para criar ciclovias, manter zonas de perigo junto à faixa de rodagem reservada a ciclistas (como lugares de estacionamento sem separador nem distância de segurança) ou permitir ou facilitar a circulação de peões ou de veículos motorizados. Outro erro comum que deve ser evitado é a atribuição de uma largura insuficiente, que impede o cruzamento (nas vias de dois sentidos) ou a ultrapassagem por outros ciclistas, em condições de segurança. É particularmente delicada nestas infraestruturas a intersecção entre vias, pelo que deve ser dada a devida atenção à cuidadosa planificação de entroncamentos, cruzamentos e rotundas. Mau exemplo de como se implementa uma ciclovia, no Porto

Não creio que todas as vias cicláveis tenham de ser necessariamente ciclovias, mas em alguns casos essa é a melhor opção. O importante é que a cidade seja repensada globalmente em função da desejada mobilidade sustentável e seja criada uma rede de vias cicláveis - um mapa da cidade que possa ser proposto aos cidadãos que já usam ou que desejam começar a utilizar de forma regular a bicicleta como meio de transporte.

Mas há mais medidas que fazem falta... Por exemplo:

  • Estacionamentos para bicicletas em quantidade adequada, em locais próprios e com um design funcional (são de evitar os modelos do tipo "dobra-rodas", sendo recomendáveis os estacionamentos em "U invertido")
  • Criação de corredores Bici+Bus (ou eventualmente, Bici+Bus+Moto) em ruas que atualmente têm sentido único apenas para transportes públicos. Um exemplo paradigmático é a Rua D. Pedro V, onde esta medida deveria ser acompanhada, na minha opinião, por uma fiscalização mais assídua do estacionamento ilegal e eventual redução das áreas reservadas a estacionamento automóvel.
  • Promoção da intermodalidade(p.ex., comboio + Bicicleta), assegurando as condições necessárias ao transporte de bicicletas nos comboios entre Braga e outras cidades, e divulgando amplamente essa opção económica e ecológica junto dos estudantes universitários e dos trabalhadores que fazem diariamente essa viagem.
  • Acalmia de tráfego, isto é, a redução da velocidade máxima em certas vias, e a devida fiscalização. Ainda há dias, na vizinha Espanha, vi agentes da autoridade a fiscalizarem uma "zona 30" com radar de segurança. Aqui além de praticamente ainda não existirem zonas 30, pura e simplesmente não existe fiscalização e quase ninguém cumpre os limites de velocidade dentro das localidades.
  • Criação de mais zonas amplas para os cidadãos: retirar espaço aos carros e devolvê-lo prioritariamente a peões, regulando devidamente o seu uso por parte de veículos. Em algumas cidades, existem ruas em que as crianças podem brincar em segurança: os carros e demais veículos são obrigados a respeitar os peões reduzindo a velocidade e dando-lhes sempre prioridade. Em Barcelona, as bicicletas podem usar determinados passeios, mas reduzindo a sua velocidade máxima para 15km/h para evitar acidentes com peões.

Seria interessante e muito útil que algum académico realizasse um estudo com rigor científico, no que se refere à questão da mobilidade sustentável em Braga. Talvez algo do género do que fez o Eng. Paulo Guerra Dos Santos na cidade de Lisboa. Uma análise sistematizada das vantagens de cada meio de transporte, e mesmo da intermodalidade, em diferentes cenários; dos obstáculos atualmente existentes a uma mobilidade mais sustentável e promotora de uma maior qualidade de vida para os cidadãos; e ainda das soluções mais indicadas, numa lógica de conjunto, para esta cidade.

Será que já algum dia alguém da Universidade do Minho elaborou alguma tese sobre estes assuntos?

sábado, 24 de março de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #10

Ciclistas Urbanos em Braga

O Joaquim, de Gualtar, usa a bicicleta entre outras coisas como uma forma agradável de praticar exercício e combater o colesterol. Até gostava de ir para o trabalho de bicicleta (na zona da antiga Grundig), se não fosse o receio de enfrentar o trânsito. Diz que se a cidade tivesse melhores condições certamente iria muitas vezes de bicicleta para o trabalho.

Nota:

Tenho vindo a notar que há muitos bracarenses que gostavam de usar a bicicleta para algo mais do que apenas o exercício físico prescrito pelo médico ou o passeio dominical. Entre os principais obstáculos encontra-se o trânsito e, de certa forma, a ausência de ciclovias.

Quanto ao primeiro, e boa parte dos casos, daria para resolver promovendo e fiscalizando medidas de acalmia do trânsito - dito de outra forma, reduzindo a velocidade de circulação dentro da cidade.

Quanto às ciclovias, diria que não são solução para tudo, mas que poderão ser particularmente úteis nos casos em que o trajeto dos ciclistas coincida com vias de grande movimento automóvel, com velocidades mais elevadas. Sobretudo quando há subidas à mistura.

No caso em análise, já ouvi dizer que a CMB terá prevista uma ciclovia ou ecovia junto ao Rio Este, que poderia vir a beneficiar os ciclistas que precisam de se deslocar da zona Este da cidade para a zona da Grundig, Ferreiros, Celeirós, etc. Vamos ver.

Para quem está a dar as primeiras pedaladas e tem medo de se aventurar no trânsito, eu recomendaria começar por vias menos movimentadas e progressivamente ir adaptando os percursos à medida que se ganha experiência e confiança. O trânsito em Braga tem as suas dificuldades, mas até nem é assim tão mau, quando comparado com outras cidades portuguesas…

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ciclistas Urbanos em Braga #5

Ciclistas Urbanos em Braga

Para o Adelino, de Lamaçães, a melhor forma de vir à Avenida Central e de tratar de todos os seus assuntos ou, simplesmente, passear na cidade é a pedalar. Usa a bicicleta para as deslocações mais triviais do dia-a-dia e considera que este meio de transporte tem a vantagem de rápido na cidade, muito económico e bem agradável. No entanto, aponta como uma das maiores dificuldades a falta de estacionamentos adequados para bicicletas, mesmo em locais tão importantes como a Loja do Cidadão ou a Avenida Central.

Também gosta de usar bicicleta para passear com a filha, mas sente a falta de ciclovias que tornem essa atividade segura para as crianças.


Nota:

A única ciclovia existente atualmente em Braga, apesar de a sua localização parecer indicar que está mais voltada para o ciclismo de lazer, tem vários problemas de execução que a tornam praticamente imprópria até para esse tipo de utilização.

Tenho conversado com vários ciclistas que frequentemente se veem em situações delicadas nas várias rotundas que interrompem sucessivamente essa ciclovia, bem como nas zonas onde há estacionamento automóvel junto a ela: por um lado, devido à constante entrada e saída de veículos, atravessando a ciclovia; e por outro lado, até mesmo pelo grande número de veículos estacionados em cima da própria ciclovia (nunca vi nenhuma operação de fiscalização por parte das autoridades). Além disso, a ciclovia é frequentemente utilizada por muitos peões que a confundem com um passeio e por isso a usam nas suas caminhadas.